Brincadeiras, amigos, escola, família e proteção. São estas as lembranças que todas as pessoas deveriam ter da infância. Para muitas crianças, no entanto, as chances de planejar um futuro digno, cheio de oportunidades são muito remotas. Segundo pesquisa realizada pelo IBGE, cerca de duzentas e oitenta mil crianças, entre cinco e nove anos de idade, no Brasil, tem a infância abreviada porque começam a trabalhar. O Casos de Justiça de hoje, 25 de abril, vai contar a história de duas jovens que trocaram as brincadeiras para trabalhar como empregadas domésticas ainda pequenas. O programa vai ao ar às 19 horas, na TVE Brasil.

Kamilla Rodrigues, uma jovem pernambucana que, durante quase toda a infância, foi empregada doméstica, repetindo a mesma história vivida por sua mãe. As duas são um exemplo dessa lamentável realidade que contraria o artigo 60 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que afirma: “é proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz”. Kamilla foi praticamente criada na casa onde trabalhava. A menina cumpria uma jornada de oito horas de trabalho por dia, seis dias na semana.  E por tudo isso recebia, no final do mês, um salário de quarenta reais.

Pesquisa feita especificamente sobre o trabalho infantil doméstico revela que aproximadamente 500 mil meninas, entre cinco e 17 anos, em todo o Brasil, trabalham em casa de terceiros.

Há três anos, no entanto, Kamilla decidiu não mais fazer parte dessa triste estatística. Ela recebeu, na escola, uma carta do Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (CENDHEC) – um centro de defesa dos direitos humanos – alertando sobre a proibição do trabalho para crianças. A menina nunca tinha ouvido falar no ECA. Identificada numa pesquisa e convidada a participar de projeto um projeto desenvolvido pela entidade para resgatar crianças do trabalho ilegal.


Ao ler o estatuto, ela passou a ter consciência de seu papel na sociedade e de todos os direitos que a lei lhe garante. Kamilla, hoje, dedica seu tempo exclusivamente aos estudos. Quando não está na escola, onde cursa o 1º ano do ensino médio, freqüenta as oficinas do CENDHEC.

Seguindo o exemplo de Kamilla, Ana Célia, 19 anos, também moradora de Recife, há um ano trabalha no programa Agente Jovem, do CENDHEC. Ela também foi empregada doméstica na infância.  Seguindo o exemplo dos pais e avós, ela começou a trabalhar ainda criança. Ana Célia também foi identificada pela pesquisa do CENDHEC, realizada em Recife, e convidada para participar das do trabalho desenvolvido pelo grupo. Hoje, feliz com a nova realidade, pode sonhar com um futuro melhor.

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