Na última sexta-feira, 29, o Poder Judiciário de Mato Grosso deu mais um passo na luta pela recuperação de dependentes químicos (álcool e drogas). O juiz Mario Kono de Oliveira, titular do Juizado Especial Criminal Unificado de Mato Grosso (Jecrim), assinou convênio com a Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico de Mato Grosso (Fundetec/MT) e o Centro Integrado de Atenção Psicossocial Adauto Boltelho para que sejam ministrados cursos profissionalizantes aos dependentes químicos internados nesse Ciaps. As aulas devem começar já na próxima semana.

“Somos responsáveis por grande parte das internações de pessoas que cometeram pequenos delitos motivados pelo uso excessivo de álcool e drogas. Da mesma forma que disponibilizamos aos reeducandos do sistema prisional a oportunidade de aprender uma profissão, agora iremos oferecer aos internos do Ciaps Adauto Botelho essa mesma alternativa”, destacou o magistrado. Ele explica que o objetivo é que os internos se recuperem integralmente e possam se manter numa ocupação lícita. “Visamos à reintegração social, ou seja, que o ser humano se recupere. A recuperação social é muito melhor que o caráter punitivo, que não melhora ninguém”, ressalta o juiz Mario Kono.

Inicialmente serão disponibilizados aos 50 internos do Ciaps Adauto Botelho os cursos de porteiro de edifício e eletricista instalador. Cada curso terá 60 horas/aula e será ministrado no próprio local de internação por instrutores da Fundetec. Conforme o professor Luiz Carlos de Figueiredo, membro da diretoria-executiva da Fundação, essa é a primeira parceria da entidade com o Juizado Especial Criminal. “Os participantes sairão com um certificado de qualificação, que poderá contribuir para que eles sejam rapidamente admitidos no mercado de trabalho. Buscamos acolher cada vez mais aqueles que estão à margem do processo de qualificação profissional”, explicou.

De acordo com a diretora-geral do Ciaps Adauto Botelho, Luciana Gomes de Souza, a maior parte dos dependentes químicos em tratamento são desempregados e/ou sem escolaridade mínima. Do total de internos, 60% cometeram pequenos delitos e foram encaminhados à internação pela Justiça. “A dependência química e a criminalidade estão intimamente ligadas. Com os cursos profissionalizantes nós queremos que o paciente, ao receber alta, tenha condições de conseguir um emprego”, destacou.

Ela explica que na medida em que o paciente adquire meios de subsistência, com a possibilidade de inserção social, há melhoria em sua auto-estima. “Evitando situações depressivas, você evita que ele busque nas drogas a fuga de sua realidade. Com uma nova profissão, ele ganha toda uma nova expectativa de vida, de inserção social e de liberdade”, assinala Luciana.

O Centro Integrado de Atenção Psicossocial Adauto Botelho é um complexo criado para cuidar da assistência a portadores de distúrbios mentais. Os usuários desenvolvem diversas atividades artesanais e terapêuticas, individuais ou em grupo, como meta de integração e ressocialização. As atividades terapêuticas buscam resgatar a cidadania, a individualidade, a socialização, bem como preparar o indivíduo para sua reintegração na sociedade.

Justiça Terapêutica

O projeto Justiça Terapêutica é uma das formas adotadas pelo Poder Judiciário para resolver conflitos familiares, entre eles os resultantes do consumo excessivo de álcool e drogas. A iniciativa busca identificar as causas dos problemas e impõe tratamento e acompanhamento psicossocial ao praticante da agressão. Os tratamentos são normalmente realizados com a ajuda de instituições ou entidades, como o Alcoólicos Anônimos, Neuróticos Anônimos, Grupo Amor Exigente, Casa de Amparo, Centro de Atendimento Psicosociais a Álcool e Drogas (CAPS-AD) e o Hospital Adauto Botelho, entre outros.

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