Sociedade conhece a campanha Mude um Destino
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) acaba de lançar oficialmente a mais nova campanha da entidade: Mude um Destino – em favor das crianças que vivem em abrigos. Com a participação de integrantes dos Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, do Ministério Público, de profissionais da imprensa e da sociedade em geral, a solenidade de lançamento da iniciativa foi realizada nesta quarta-feira, 14 de março, no Hotel Blue Tree, em Brasília (DF), e transmitida ao vivo pelo portal da AMB.
Com a campanha, a Associação pretende sensibilizar, comover e mostrar à sociedade a realidade das crianças e jovens que vivem em abrigos, hoje tão desconhecida pela maioria dos brasileiros. A intenção é incentivar o retorno desses jovens à família biológica, além de estimular a prática da adoção em todo o país. A iniciativa também busca orientar os dirigentes de abrigos sobre a legislação que trata do assunto.
Para subsidiar esses cidadãos, a campanha conta com um material de divulgação, composto por um folder explicativo, uma cartilha com o passo a passo do processo de adoção, um livreto com a legislação sobre o assunto, dois cartazes e uma cópia em DVD do documentário O que o destino me mandar, dirigido pela jornalista Ângela Bastos com o apoio da AMB.
“É uma honra para a AMB tê-los aqui. Tenho confiança de que os presidentes de associações de magistrados levarão a campanha para todo o país, pois acredito que há necessidade desse engajamento para realizarmos um trabalho extremamente positivo”, afirmou o presidente da AMB, Rodrigo Collaço, ao anunciar o lançamento oficial da campanha.
O ministro Patrus Ananias, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, compareceu à cerimônia, representando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso, o ministro garantiu que entregará todo o material de divulgação da campanha ao presidente Lula e transmitirá a ele suas impressões “altamente positivas e profundamente emotivas” em relação à iniciativa.
“Quero aqui ressaltar a importância desse evento e parabenizar a AMB por essa grande campanha. Incluindo a questão social no campo dos direitos dos cidadãos, estamos construindo um momento novo para o país. Que essa iniciativa seja mais uma forma de mantermos a esperança de que podemos ter o Brasil que tanto queremos”, destacou Patrus Ananias.
Talk-show
O lançamento da campanha foi seguido pela exibição do documentário O que o destino me mandar e por um debate, em formato talk-show, sobre a realidade dos jovens que vivem em abrigos no país. Participaram da discussão: o presidente da AMB; a senadora Patrícia Saboya (PSB-CE); a presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Carmem Oliveira; a orientadora educacional do abrigo Nosso Lar, localizado no Distrito Federal, Patrícia Braga; e a jornalista Ângela Bastos. O debate foi intermediado pelo jornalista Júlio Mosquéra.
“O que essa campanha pode produzir de mais positivo é trazer à tona a realidade desses jovens, pouco conhecida pela sociedade. Ela mostrará o drama de cada uma dessas crianças e adolescentes à população”, explicou Rodrigo Collaço. Segundo ele, foi graças à coragem e ao novo pensamento da magistratura nacional que essa campanha pôde ser concretizada.
A senadora Patrícia Saboya, que tem uma filha adotada, destacou que são necessárias mudanças na legislação, “mas só isso não basta”. “Uma criança não é um brinquedo que a gente compra e depois dá de presente para alguém”, disse a senadora, salientando a importância de se tratar o tema da adoção com muito cuidado e atenção. E completou: “A sociedade precisa conhecer melhor essa realidade. A adoção não é um ato de pena, misericórdia ou piedade. É um ato de amor.”
A presidente do Conanda, Carmem Oliveira, alertou a platéia sobre uma situação preocupante no país. Segundo ela, em 40% dos estados brasileiros há instituições de abrigamento com atendimento misto, ou seja, acolhem jovens órfãos ou desamparados pelos familiares e outros envolvidos com crimes. “Faço um chamamento aos novos governos estaduais para mudarem essa grave situação de alguns abrigos. É um dever de casa para os novos governantes”, ressaltou.
A orientadora pedagógica do abrigo Nosso Lar, Patrícia Braga, revelou a dificuldade de adaptação desses jovens a um lar totalmente novo. “Quando a criança chega ao abrigo, por mais que ele seja bonito e aconchegante, ela precisa adquirir confiança nesse novo lar. Para tanto, precisamos nos preocupar com a saúde emocional desses jovens”, explicou, elogiando a iniciativa da AMB. “Com essa campanha, os abrigos estão se sentindo acolhidos.”
Imprensa
A jornalista Ângela Bastos destacou a necessidade de a imprensa brasileira dar mais destaque à questão da adoção e à situação das crianças e adolescentes que vivem em abrigos. “A imprensa não tem dado bom espaço para esse debate. Um dos papéis da mídia é ajudar a desmistificar o processo da adoção”, disse. E deu um conselho à platéia: “Se vocês puderem visitar um abrigo algum dia, com certeza se sentirão mais homens.”




