“Fiquei entristecido. Meu entusiasmo foi cortado com a decisão da Mesa”. A frase foi dita pelo Corregedor do Senado, Romeu Tuma, durante a visita ao juiz da 1ª Vara Criminal de Brasília, Roberval Belinati, responsável pela Operação Aquarela. Além de agradecimento formal entre os representantes dos dois Poderes, a visita serviu para a entrega de dois relatórios com resultados obtidos até agora com a varredura de documentos da operação. Um deles demonstra que apenas 20% de todo o material foram examinados. No encontro, Belinati reafirmou que o nome de Gim Argello aparece numa escuta telefônica considerada “comprometedora”.

Mesmo com a decisão da Mesa do Senado, a Polícia Civil do DF tem recomendação do Judiciário local para continuar a varredura. Isso significa que o nome de Argello vai continuar sendo procurado pelos profissionais. Oito pessoas, entre delegados, peritos e agentes de polícia trabalham, com exclusividade, na investigação.

Como Argello manteve o privilégio de foro, qualquer nova menção ao nome dele, que eventualmente venha a ser feita nos documentos, deve ser encaminhada à Procuradoria-Geral da República para análise. Cabe ao Procurador-Geral, Antônio Fernando de Souza, avaliar se se trata de suposta prática de crime ou não. Se entender que há indício, Souza tem legitimidade para oferecer denúncia contra o senador.

Durante a visita, Romeu Tuma afirmou ainda que recebeu “com surpresa” a decisão da Mesa do Senado pelo arquivamento do caso. “Eu não concebo que uma pessoa, porque se investe no mandato de parlamentar, fique automaticamente anistiado”, disse, fazendo menção expressa a Gim Argello. Segundo ele, em princípio, só o Partido do senador recém-empossado poderá recorrer da decisão da Mesa.

Um dos relatórios entregues ao Corregedor do Senado traz a lista de nomes de pessoas e documentos apreendidos na operação. Vinte pessoas físicas e 20 jurídicas são investigadas. Segundo o Juiz Belinati, esse número pode aumentar.

Os outros números da operação também são alarmantes: 390 caixas e duas sacolas cheias de documentos foram apreendidos no BRB, escritórios e residências de pessoas que estão sendo investigadas. Dados de 108 computadores, também apreendidos, estão sendo rastreados pelos peritos. Mais de 62 mil ligações telefônicas foram interceptadas, mediante autorização judicial. Os crimes até agora investigados na Operação Aquarela são lavagem de dinheiro, desvio de verbas públicas (peculato), fraudes em licitações públicas e formação de quadrilha.

 

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