Em repercussão a mais uma absolvição de parlamentar (João Paulo Cunha, livrado da cassação há dois dias) supostamente envolvido no esquema do valerioduto, a Folha de S.Paulo publicou nesta sexta-feira, 7 de abril, a opinião de acadêmicos, operadores do Direito e outros representantes de classe sobre o assunto. O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Rodrigo Collaço foi um dos que opinaram. Leia abaixo todos os depoimentos. 

Repercussão

THOMAS SKIDMORE, historiador, brasilianista e professor aposentado da Universidade de Brown (EUA):

"No passado, eu achava que o governo Lula não ia chegar ao fim. [...] A corrução, hoje, no Brasil, não é motivo para demitir ou cassar alguém. O Brasil está aprendendo a conviver com ela".

LUIZ WERNECK VIANNA, cientista político e professor do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro):

"Se ele [João Paulo] não foi [cassado] quem vai ser? Tem que se tirar essas apurações de violação do Código de Ética do fórum parlamentar para um outro fórum. Desmoralizou tudo. [...] Na verdade, o que se está fazendo é desacreditando a democracia, suas instituições".

JORGE DURÃO, diretor-geral da Associação Brasileira de ONGs:

"O sistema de representação político-partidária está corrompido e o Congresso foi incapaz de dar um só passo para refundá-lo".

PAULO PEREIRA DA SILVA, presidente da Força Sindical:

"É uma vergonha que uma pessoa [o deputado João Paulo Cunha] que comprovadamente recebeu o mensalão tenha sido absolvida. Espero que o povo casse esse povo. Que o povo faça o serviço que o Congresso não conseguiu fazer".

CELSO LAFER, professor titular da Faculdade de Direito da USP e ex-ministro das Relações Exteriores (governos Collor e FHC):

"É natural que diante de um escândalo haja uma reação apropriada. Essa reação não se verificou no caso da absolvição de João Paulo Cunha. Esta medida afeta a reputação e a integridade dos que assim votaram na Câmara".

CLAUDIO WEBER ABRAMO, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil:

"Com essas absolvições, desse jeito, é melhor decretar que a Câmara dos Deputados passe a ser formada pelos presidiários da Papuda [presídio em Brasília]".

ROBERTO BUSATO, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil:

"A absolvição do deputado João Paulo Cunha reforça o clima de impunidade, de desfaçatez e de grande pizza em que se vai transformando, na Câmara, o resultado do trabalho das CPIs. [...] O Congresso está dando as costas à vontade pública, enquanto seu alto forno, a esta altura a 300 graus, continua assando, fritando e rasgando a Constituição".

RODRIGO COLLAÇO, presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros):

"Eu acho que as absolvições formam um quadro lamentável. A sinalização que o Congresso passa para a opinião pública é que a política é uma arte que pode ser exercida sem compromisso com a moral e a ética".

ROBERTO ROMANO, filósofo e professor titular da Unicamp:

"[A absolvição de João Paulo] Foi um fato a mais que corrói a credibilidade do Parlamento. Justamente no campo que é o mensalão, quase na mesma hora em que a CPI aprova o relatório onde o item central é a existência do mensalão. Foi um prego a mais no caixão do Congresso".

FERNANDO ABRÚCIO, professor de ciência política da FGV -SP:

"O que salva João Paulo Cunha é o voto secreto. [...] Enquanto houver o voto secreto para autojulgamento de uma instituição, é pouco provável que ela se puna muitas vezes. E vou dizer mais: havia mais provas contra João Paulo do que contra José Dirceu [deputado cassado, do PT]".

EMIR SADER, sociólogo e professor da USP e da Uerj:

"[As absolvições] Significam que o trabalho do Conselho de Ética não encontra correspondência na maioria da opinião na Câmara, quer dizer, se distanciou do clima geral da Casa. A maioria não foi aprovado".

DAVID FLEISCHER, cientista político e professor da UnB (Universidade de Brasília):

"A absolvição [de João Paulo Cunha] foi uma surpresa, porque teve quórum alto. Nos outros casos, quórum alto era sinal de cassação. Mas ele era o "João bonzinho", entrosado, deixou vários amigos que lhe deviam favores por ter quebrado galhos quando estava na presidência da Casa".

CARLOS MELO, cientista político e professor do Ibmec-SP:

"João Paulo teve um relatório pela cassação mais enfático do que os outros. A absolvição coloca em choque o voto secreto no plenário. [...] Enquanto essas regras continuarem, episódios como esse vão se repetir".

MARINA DOS SANTOS, membro da coordenação nacional do MST:

"A sociedade está assistindo estupefata a esse verdadeiro circo armado. É evidente que os deputados fizeram acordos e utilizaram dois pesos e duas medidas nos processos".

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