Renata Gil debate participação feminina nas organizações criminosas

Magistrada defendeu estudo e trabalho como solução para a criminalidade
A presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, participou na manhã desta segunda-feira (19), da quarta aula do curso "Política, corrupção e máfia: da operação mãos limpas na Itália à reflexão para os dias atuais", da Academia JurisRoma. O tema abordado no encontro foi “O papel das mulheres nas organizações criminosas”.
Juíza criminal, Renata Gil fez ponderações sobre a participação feminina no mundo do crime. Explicou que ainda há muitas diferenças entre o Brasil e a Itália, porque aqui é menos comum que as mulheres insiram seus filhos na criminalidade. “Há uma grande desestruturação familiar nas organizações criminosas. Esse é o ponto divergente. Dá para ver a transmissão da cultura mafiosa entre as mulheres e seus filhos na máfia italiana”, afirmou
Para ela, o caminho para evitar a “entrada” na criminalidade é o estudo e a inserção das pessoas no mercado de trabalho. “Há pouquíssimo tempo tivemos consciência de quão foi subtraído das mulheres a possibilidade de estudar. Hoje, temos a oportunidade de ver as mulheres se profissionalizarem e interromperem o ciclo coercitivo do crime”, disse.
A magistrada Larissa Pinho mostrou que o crescimento do aprisionamento de mulheres no Brasil é exponencial. “Hoje o número de prisões de mulheres é muito maior do que o dos homens. De 2016 para 2017 a população carcerária masculina cresceu 220% enquanto a feminina 560%. A participação da Mulher no tráfico de drogas foi o principal motivo do crescimento dessas prisões”, explicou.
De acordo com ela, a imagem da mulher era ligada aos crimes passionais, mas hoje as estatísticas oficiais comprovam que as mulheres estão sendo encarceradas por crimes de tráfico de droga e contra o patrimônio. Há um descolamento da imagem de mulher frágil, dócil”.
Apesar disso, os papéis atribuídos às mulheres nas organizações criminosas no Brasil ainda são marginalizados. Segundo Larissa, elas exercem tarefas cada vez mais importantes dentro das facções, a fim de ocupar cargos mais altos.
Também participaram o diretor acadêmico da Accademia Juris, Federico Penna; a juíza brasileira Larissa Pinho; e a juíza italiana, Paola de Nicola, que falou sobre o papel da mulher na máfia italiana.
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Mahila Lara
Associação dos Magistrados Brasileiros




