Realidade dos abrigos comove São Luis (MA)
Depois de cinco capitais, chegou a vez de São Luis conhecer a campanha Mude um Destino – em favor das crianças que vivem em abrigos. Cerca de 130 pessoas participaram da cerimônia de lançamento no estado, realizada no Centro Universitário do Maranhão (Uniceuma).
O reitor da Uniceuma, Aldy Mello, falou da importância de uma campanha dessa natureza ser lançada numa escola. Para Mello, os alunos do curso de Direito presentes ao lançamento se aproximarão, no futuro, do problema que envolve cerca de 80 mil crianças e adolescentes no país. “A partir deste momento, estou comprometido em propiciar uma chance a quem nunca teve uma, como diz o próprio lema da campanha”, afirmou.
O lançamento em São Luís teve apoio da Associação dos Magistrados do Maranhão (Amma). O presidente da associação, Gervásio dos Santos, elogiou a iniciativa da AMB e declarou estar honrado em lançar a campanha no estado. “Ao tratar do problema das crianças abrigadas, a AMB, além de contribuir para a construção de um país melhor e mais justo, demonstra claramente a face de um novo associativismo, que não está mais interessado somente com as questões meramente corporativistas, mas com a sociedade”, disse.
O presidente da AMB, Rodrigo Collaço, apresentou o documentário O que o destino me mandar, da jornalista Ângela Bastos, produzido com o apoio cultural da entidade. Collaço destacou que o documentário mostra com mais exatidão a situação das crianças que vivem em abrigos. “Se eu disser que 80 mil crianças vivem em abrigos isso certamente terá um impacto. Mas nada vai se comparar ao impacto do documentário, que particulariza a situação”, observou.
Collaço destacou, ainda, a importância da disseminação da campanha entre os universitários. Segundo ele, a ajuda não é feita somente por meio de dinheiro ou bens materiais, como se pensa no primeiro momento. “Um dia de trabalho, um dia de carinho também tem muito efeito”, declarou.
Após a exibição do documentário, o coordenador da campanha e secretário-geral adjunto da AMB, Francisco Oliveira Neto, detalhou o projeto e falou mais sobre a situação das crianças que vivem em abrigos. Segundo ele, a maioria das crianças disponíveis para adoção não é adotada porque não se encaixa no perfil desejado pelos possíveis pais, que geralmente querem bebês, brancos e sem irmãos.
A juíza maranhense Lewman de Moura Silva relatou a experiência de ter adotado uma criança. “A adoção muda o destino do adotado e, principalmente, de quem adotou. Quando você adota, esquece que a criança não saiu de dentro de você. Eu nem lembro que a minha filha não nasceu de mim”, emocionou-se. A menina tem 4 anos e foi adotada com 48 horas de vida.
O vice-presidente da AMB, Mozart Valadares Pires, chamou atenção para o papel de agentes políticos dos juízes. “Somos formadores de opinião, e temos de mobilizar a sociedade para esta questão, trabalhando para que o país se torne mais justo”, enfatizou.




