“A sociedade brasileira precisa repensar a questão do planejamento familiar”, afirmou o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), desembargador Paulo Inácio Dias Lessa, durante o lançamento da Campanha Mude um Destino – em favor das crianças que vivem em abrigos -, realizado nesta quinta-feira, 24/5, pela Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam). Para ele, esta é “uma questão que, lamentavelmente, o Estado brasileiro não teve coragem de encarar e ainda se diz laico”. Ele também criticou a intransigência do Papa Bento XVI ao condenar o uso de métodos contraceptivos.

Paulo Lessa lembrou que o Brasil é conhecido na Europa como exportador de crianças. “Isso tem que ser motivo de vergonha para todos nós”, afirmou. De acordo com Lessa, na década de 70, 45% dos jovens do sexo masculino não tinham condições de servir às Forças Armadas por subnutrição ou deficiência física. “Trinta anos depois a situação é a mesma ou pior”, afirmou.

Para o presidente do TJ, o problema das crianças abandonadas e vítimas da violência doméstica é de toda a sociedade, mas principalmente do Poder Judiciário. “Sempre sobram as mazelas para o Judiciário”, afirmou, ressaltando que é preciso unir forças para resolver o problema. Lessa sugeriu que cada um faça sua parte nesse trabalho.
O presidente da Amam, Antônio Horácio da Silva Neto, concordou com Paulo Lessa que é preciso unir forças e disse que a magistratura, seja por meio do Judiciário, ou associações de classe, deve se empenhar porque tem responsabilidade social.

Mais de 500 pessoas participaram do lançamento da campanha, idealizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), e realizado em Mato Grosso pela Amam, em parceria com a Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) e Grupo de Ação Social do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Gasjud). O evento ocorreu durante o I Encontro de Magistrados, Servidores e Equipe Técnica das Varas de Infância e Juventude do Estado de Mato Grosso, nos dias 24 e 25 de maio, Dia Nacional da Adoção.

O corregedor geral da Justiça e presidente da Ceja, desembargador Orlando de Almeida Perri, sensibilizou o público na abertura do evento e fez uma reflexão sobre o que cada um está fazendo para a construção de um mundo melhor e mais fraterno. “Diante da eternidade, passamos muito pouco tempo neste planeta e se conseguirmos acolher com amor uma só criança, nossa existência já terá valido a pena”, afirmou.

Para Orlando Perri, a violência é uma praga e seu combate depende da eliminação da causa. “É preciso cortar o mal pela raiz. E qual é a raiz da violência”, indagou. “É sempre uma criança violada, roubada de seu direito de ser alimentada, amada e protegida”, respondeu.

Perri lembrou que na história da infância de todo estuprador ou assaltante há sempre um episódio de violação. “Nosso presente sempre será a soma do que vivemos no passado. Temos uma responsabilidade com milhares de crianças“, afirmou. “Quem acende uma vela ao próximo é o primeiro a se iluminar”.

O magistrado citou o exemplo de Madre Tereza de Calcutá, que dedicou sua vida a amenizar o sofrimento de doentes e miseráveis. Ao ser indagada se o trabalho que fazia não era apenas uma gota no oceano, a religiosa respondeu: “O oceano nunca mais será o mesmo sem essa gota”.


 

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