O presidente da AMB, Rodrigo Collaço, tomou posse hoje no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), para mais um mandato, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Collaço foi um dos três conselheiros a usar a tribuna para relatar ao presidente algumas das ações do conselho.
 
Criado para debater questões nacionais e elaborar propostas de políticas públicas, o CDES é formado por 13 ministros e 90 líderes da sociedade civil, convidados pelo presidente da República. Para o biênio 2007-2008, foi substituída quase metade dos integrantes (46%). Collaço já integrava o conselho no biênio passado e, portanto, faz parte do grupo que foi reconduzido ao cargo.
 
A 21ª reunião plena do CDES também teve a participação dos ministros Walfrido dos Mares Guia, da Secretaria de Relações Institucionais; Tarso Genro, da Justiça; e Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
 
Reforma Política
 
A primeira discussão do novo conselho foi pautada por três importantes temas da agenda nacional: reforma política, infra-estrutura e reforma tributária. Coube a Collaço apresentar ao presidente Lula as propostas do conselho para o primeiro assunto. “Acredito que a reforma política aumenta as condições de governabilidade”, disse o presidente da AMB.
 
Diante de sua complexidade, é indispensável que a discussão seja aprofundada. Por isso, o grupo temático do CDES para a reforma política decidiu realizar um seminário no dia 14 de junho para tratar do tema. Como explicou Collaço, será uma boa oportunidade de aprofundar o debate, somando a opinião da academia à visão dos conselheiros. “Mas deixamos claro que o foro último e competente para tratar do assunto é o Congresso Nacional, e não pretendemos substituí-lo. Por isso convidamos o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e do Senado, Renan Calheiros, para o seminário”, esclareceu o magistrado.
 
Collaço também informou ao presidente que a reforma política será discutida durante todo ano pelo CDES, permitindo que o país cresça de forma institucionalmente mais saudável.
 
Lula respondeu que a reforma política não pode ser um assunto tratado apenas no período eleitoral. Na opinião do presidente, o Congresso, por meio do debate, deve promovê-la. “Mas a verdade é que todo mundo tem medo da reforma política. É como mudar de casa: a outra pode até ser maior e melhor, mas você tem medo da mudança porque está acostumado com a casa velha, com seu cheiro de mofo e o banheiro entupido”, comparou. Citando nominalmente o conselheiro Armando Monteiro, presidente da Confederação Nacional da Indústria, Lula conclamou os diversos setores da sociedade a defender a bandeira da reforma política.
 
Lula ouviu ainda o conselheiro Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústria de Base (Abdib), sobre a necessidade de medidas emergenciais para o setor de infra-estrutura, fundamental para o crescimento econômico do País. Mesma urgência tem a reforma tributária, defendida na reunião pelo conselheiro Germano Rigotto, ex-gorvernador do Rio Grande do Sul.
 
O presidente comprometeu-se a participar de todas as reuniões ordinárias do CDES, que nesta nova versão ganha mais representantes do setor trabalhista, ocupando 27% dos postos (antes, eram 17%). Mas o número de empresários continua maior (39%, contra 47% anteriormente). O conselho também é formado por organizações não governamentais, intelectuais e outros membros da sociedade civil, que juntos formam 34% (eram 36%).

(*) Com informações da Agência Brasil

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