Polícia indicia cinco funcionários do antigo Blue Tree Park
A Polícia Civil apresentou, na manhã de terça-feira, 10 de outubro, o nome dos cinco funcionários do antigo Hotel Blue Tree Park, no Cabo de Santo Agostinho, que foram indiciados por homicídio culposo pela morte da criança Bruna Oliveira, 9 anos, filha do casal de juízes Sérgio e Valdereys Torres de Oliveira. Segundo laudo médico, Bruna foi vítima de uma gastrenterite seguida de infecção generalizada, provocada pela ingestão de comida contaminada.
Ela morreu no dia 07 de novembro de 2005, depois de acompanhar os pais durante o II Congresso de Magistrados do Estado de Pernambuco, realizado entre os dias 03 e 06 daquele mês, no antigo hotel Blue Tree Park, no Cabo de Santo Agostinho.
O inquérito policial apresentado pelo delegado Alberes Félix, na manhã desta terça, confirma que o alimento contaminado foi consumido por Bruna quando ela esteve no Blue Tree Park, já que o período deincubação da bactéria é de três dias. Bruna hospedou-se no hotel, junto com os seus pais, na quinta-feira, 03, com ótima saúde. No total, cinco funcionários do Blue Tree foram acusados de negligência e indiciados por homicídio culposo. Os indiciados foram: o gerente-geral, Ronaldo Fernandes Ferreira, 54 anos; o gerente de Controladoria, Christiano Lins Lopes, 33; o gerente de Alimentos e Bebidas, Jacinto Antônio Guerreiro da Silva, 49; a nutricionista Adriana Luna Farias, 32; e o chefe de cozinha, Jadir Antonio de Farias, 50.
“Ficou provado que o Blue Tree serviu comida estragada, dando origem ao surto de infecção intestinal e resultando na morte de Bruna. As pessoas indiciadas no inquérito têm total responsabilidade sobre o ocorrido”, disse o delegado Alberes Félix. Ainda de acordo com o inquérito policial, várias irregularidades foram encontradas no resort. Das 111 amostras de alimentos periciadas, 21 delas eram impróprias ao consumo humano, inclusive o gelo servido aos participantes do congresso. Nas amostras, foram encontradas as bactérias Escherichia Coli, Staphylococcus e Baciluus Cereus. Também foi comprovado que os alimentos eram acondicionados de forma errada, sendo preparados com bastante antecedência e expostos à temperaturas inadequadas.
Êxito - A apresentação do inquérito ocorreu na sede da Polícia Civil, na Rua da Aurora, Centro do Recife, e contou com a presença do presidente da Amepe, Mozart Valadares; dos advogados da Associação, Túlio Vilaça e José Henrique Wanderley; do tio de Bruna Oliveira, o médico Flávio Oliveira, que representou a família, e do chefe da Polícia Civil, Djalma Raposo.
“Estamos satisfeitos com o resultado da investigação, que buscou a verdade. Sempre confiamos no trabalho do Estado, destacando a Polícia e a Vigilância Sanitária. Na maioria das vezes, a sociedade cobra uma resposta imediata. Mas, em casos como este, é necessária uma investigação eficiente para não punirmos inocentes. E, felizmente, isso aconteceu”, afirmou o presidente da Amepe, Mozart Valadares. Para o médico Flávio Oliveira, o esclarecimento dos fatos representa um consolo para a família. “Sabemos que não podemos mudar o ocorrido, mas a eficiência da investigação pode contribuir para evitar que outras famílias enfrentem o mesmo problema”, afirmou.




