Pesquisador destaca participação feminina na magistratura
Na opinião do pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Joaquim Falcão, o livro “Magistrados – Uma Imagem em Movimento” deixa claro que o motor de mudança da magistratura são as magistradas. “As mulheres são mais críticas, mais pragmáticas, e sua participação na magistratura cresce ano a ano”, destacou o pesquisador.
Co-autor da obra, juntamente com a cientista política Maria Tereza Sadek, da Universidade de São Paulo (USP), Falcão acrescentou que o livro mostra, ainda, uma importante dicotomia. “Cada vez mais vemos uma separação entre o pensamento dos juízes de primeira instância e os desembargadores. Há uma dicotomia intensa”, disse.
Questão racial
Já a professora Maria Tereza Sadek comentou sobre outro dado da obra, que revela que 86% dos magistrados se declaram serem de cor branca – a média da população, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apurou em 2000, é de 54%. “Não se trata, em minha avaliação, de racismo. É uma questão mais profunda, relacionada à adversidade que os menos favorecidos encontram para ter acesso aos estudos”, ponderou.
A cientista política observou, também, que a pesquisa que fundamentou o livro serviu como base para que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) tomasse decisões em cima do que a categoria pensa sobre determinados assuntos. Um exemplo disso, citado por Sadek, foi a luta pelo fim do nepotismo no Poder Judiciário. “A AMB não deve agir somente em cima do que os juízes pensam, mas é muito bom saber que a entidade age levando em consideração o que pensa a categoria que defende.”




