“Amar a quem nunca se viu/É ter o coração/Em plena gestação...”. Os versos fazem parte da canção O que o destino me mandar, composta pelo músico amapaense Zé Miguel. A inspiração nasceu da campanha Mude um Destino, promovida pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). “Quando tomei conhecimento da campanha, senti vontade de dar minha contribuição”, diz o artista, em entrevista ao Portal da AMB.

Portal da AMB – Como surgiu a idéia de criar uma música para a campanha Mude um Destino?
Zé Miguel –
Quando tomei conhecimento da campanha, senti vontade de dar minha contribuição. Depois que assisti ao documentário O que o destino me mandar, me senti mais motivado ainda.

Portal da AMB – Você tem três filhos adotivos. Pode falar um pouco sobre essa experiência?
Z. M. –
Sou casado há 23 anos e antes mesmo de saber que eu e minha mulher não poderíamos ter filhos biológicos, nós adotamos uma garoto. Isso há 22 anos. Depois, adotamos uma menina, que chegou para nós com sete dias de vida e hoje tem 10 anos. E o terceiro chegou recém-nascido e está conosco há 4 meses. A minha opinião é a de que o amor de pai e mãe adotivos chega a ser maior que o de pais biológicos, porque você escolhe amar aquela criança. Não é algo compulsório.

Portal da AMB – Como você avalia a iniciativa da AMB em lançar uma campanha como a Mude um Destino?
Z. M. –
Eu acho que o Brasil estava precisando desesperadamente de uma ação como essa, porque somos um país de muitas crianças abandonadas, sem amor. Elas estão nas ruas, em lares problemáticos e em abrigos, e é preciso chamar a atenção para elas. Não é possível imaginar futuro para um país que não cuida das suas crianças.

Para escutar a música de Zé Miguel, clique aqui:

O que o destino me mandar (Zé Miguel)

Amar a quem nunca se viu
É ter o coração
Em plena gestação
É sem saber que mãe pariu
Amar de peito aberto por convicção
É ver chegar quem não partiu
E conjugar verdadeiramente o verbo amar

Mães, pais e filhos do coração
São os herdeiros da adoção
Prontos a ter o que
O destino ofertar
Frutos da mais pura paixão
Por onde a vida os levar
O que o destino lhes mandar
Será

Os filhos não só filhos são
São na verdade pedaços de nós
Milagres que explicam a razão
Da nossa existência
Sem eles o viver é vão
É ver tempo passar enfim
Sem dar pra vida uma explicação
Da nossa existência

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