Poucos se interessam pela história deles. Poucos a contam. Por vezes, protagonizam reportagens tristes — veiculadas nos meios de comunicação —, em que comovem temporariamente a audiência, para serem novamente esquecidos. A crueza das estatísticas revela a proporção da dor de meninas e meninos que vivem em abrigos. Um desejo comum é acalentado por essas crianças: eles querem uma família que os acolha. No Brasil há 80 mil crianças mantidas em abrigos, oito mil delas prontas para a adoção. O abandono afeta mais os negros. Cerca de 65% dos abrigados são afrodescendentes. Os dados são do Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA).

Preocupada com a situação, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) — entidade que não apenas congrega magistrados, mas que tem legitimidade para discutir temas de interesse social — decidiu promover uma campanha Pró-Adoção. O pré-lançamento será no dia 16 de novembro, às 19h30, no suntuoso Teatro Ópera de Arame, ícone da cultura de Curitiba. “A AMB precisa ser a voz daqueles que não têm voz, que não conseguem ser ouvidos pela sociedade, que são ignorados. Como vivemos distantes da realidade desses meninos e meninas, é mais difícil perceber e até mesmo se preocupar com a situação de quem da vida não recebeu nem mesmo o carinho e o cuidado dos pais. A sociedade precisa ser conscientizada e chamada a discutir o tema”, adianta Rodrigo Collaço, presidente da AMB.

Na ocasião, será exibido pela primeira vez o documentário O que o destino me mandar, dirigido pela jornalista Ângela Bastos. Ela aborda o tema com a delicadeza que merecem ser tratados meninos e meninas moradores dos abrigos. Entretanto, a documentarista não deixa de denunciar a dura situação de quem pode passar a vida sem ter uma família que os acolha. “O que o documentário faz é levar as pessoas para dentro dos abrigos para conhecer a realidade das crianças. Como esses meninos não fazem rebeliões, não pegam reféns, são silenciosos, todos ignoram as histórias deles”, diz.

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