A realidade das crianças abrigadas continua motivando o engajamento da magistratura na campanha Mude um Destino. Uma mostra desse comportamento pôde ser observada na última sexta-feira, 27, no lançamento do projeto na capital do Ceará. Promovido em parceria com a Associação Cearense de Magistrados (ACM) e a Escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará (Esmec), o evento reuniu magistrados, dirigentes de abrigos e profissionais ligados aos direitos da infância no auditório da escola.

O sentimento geral foi traduzido pelo desembargador Ernani Barreira Porto, presidente da Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional do Ceará (Ceja). “Esses menores estavam jogados – e mal jogados – em abrigos. São meninos e meninas que precisam de cuidados”, destacou. Para o magistrado, a campanha da AMB dá à magistratura a oportunidade de ser pioneira nessa verdadeira revolução. “Fui convocado pelo presidente do Tribunal de Justiça a estar aqui nesse momento tão importante, assegurando o apoio dos juízes cearenses ao projeto”, afirmou.

Na opinião do desembargador, é preciso fazer a sociedade acordar para as crianças abrigadas, uma verdadeira legião de infelizes, que não queimam colchões, não se rebelam e, por isso, não desperta a atenção de ninguém. “Essas crianças estão sendo praticamente exumadas pela AMB, que teve a feliz idéia de lançar luz sobre elas. Por isso rendo uma homenagem especial à nossa associação nacional e a todos os presidentes de associações de magistrados do Brasil”, declarou Porto.

Anfitrião do evento, o juiz Paulo de Tarso Pires Nogueira, presidente da Associação Cearense de Magistrados, convocou todos os colegas a disseminar a campanha pelo Estado. “É preciso dedicar atenção especial a essa causa tão importante”, disse.

O juiz Mozart Valadares, vice-presidente da AMB, representou a entidade no lançamento, que ocorreu durante o VIII Encontro dos Presidentes das Associações dos Magistrados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Ele explicou os motivos que levaram a associação a investir no projeto. “A magistratura deve participar ativamente das questões sociais do País”, justificou.

Coordenador da campanha, o juiz Francisco Oliveira Neto exibiu todo o material de divulgação da Mude um Destino – cartilhas, VT e o documentário “O que o destino me mandar”. Ele também deu detalhes sobre o concurso que vai premiar as melhores ações de incentivo à reinserção familiar desenvolvidas por abrigos, Poder Judiciário e jornalistas.

Para Marilac Holanda, coordenadora do abrigo Casa de Apoio Sol Nascente, que atende 12 crianças soropositivas ou filhas de portadores do HIV, o principal objetivo da campanha já foi alcançado, que é o de lançar luz sobre essa realidade despercebida. “Os abrigos nunca receberam tamanha atenção”, disse, comovida, ao fim do lançamento.

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