Mude um destino: presidente do TJ do Piauí destaca engajamento social da magistratura
A Associação dos Magistrados Piauienses (Amapi) juntamente com a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), lançou na noite da última sexta-feira, 25, no auditório do Tribunal de Justiça do Piauí, a Campanha Mude um Destino. O projeto chegou a Teresina para mostrar à sociedade local a realidade de crianças e jovens que vivem o drama de esperar por uma família que os acolha. Cerca de 150 pessoas participaram do evento.
Presente ao lançamento, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luís Fortes do Rego, destacou o engajamento da magistratura em questões sociais, mesmo que à primeira vista não estejam diretamente ligadas à atividade judicante. “Vejo isso com entusiasmo. O juiz deve ser também um formador de opinião, e mesmo que não esteja ligado diretamente à área deve ter a sensibilidade de buscar solução para os problemas do nosso país. E esse é um deles”, afirmou.
O juiz Francisco Oliveira Neto, coordenador geral da campanha, afirmou que atualmente cerca de 80 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos no Brasil. Segundo ele, a maioria é vítima de abandono, violência doméstica e negligência. No entanto, apenas 10% deste universo estão disponíveis para a adoção.
"Adoção não é um processo complicado como muitos dizem. Nós magistrados sabemos do trâmite, pois somos quem dá o aval para a família no ato do acolhimento. O que prejudica a adoção são as condições que uma família estabelece para adotar uma criança", destacou o coordenador, ressaltando que características como sexo, cor e idade contribuem para que muitas crianças ainda fiquem sem família.
A juíza Maria Luíza de Moura, da 1ª Vara da Infância e Juventude, destacou que é necessária uma conscientização da população sobre o ato de adotar uma criança. Ela afirma que em Teresina existe apenas um local que abriga crianças para adoção. "Na capital temos apenas o Lar Maria João de Deus, que abriga hoje 58 crianças e adolescentes, sendo que destes, apenas nove estão disponíveis para adoção e apenas um tem chances reais de ser adotado, por ser recém nascido", enfatizou Maria Luíza.
E com o intuito de incentivar projetos e ações que estimulem a condução de crianças e adolescentes a uma família, a AMB também lançou junto com a campanha o Concurso Mude um Destino. O prêmio será destinado às categorias Poder Judiciário, abrigos e haverá ainda uma categoria especial sobre o tema no Prêmio AMB de Jornalismo.
"Este concurso tem como objetivo premiar iniciativas bem-sucedidas de atendimento às crianças abrigadas, bem como de promoção do retorno delas ao lar natural ou a um lar substituto depois de esgotadas todas as possibilidades de reintegração com a família biológica", explica o juiz Mozart Valadares, vice-presidente da AMB.
O juiz Sebastião Ribeiro Martins, presidente da Amapi, destacou a importância dos magistrados se dedicarem em uma campanha deste porte. "É um compromisso da Amapi e da AMB levar à sociedade essa discussão. Cada um de nós tem esse dever e queremos amenizar essa realidade que nos entristece", finalizou.
O lançamento teve, ainda, as presenças de Sílvio Mendes de Oliveira Filho, prefeito municipal de Teresina, do desembargador Nildomar da Silveira Soares, corregedor-geral da Justiça em exercício, entre outras autoridades, servidores e profissionais ligados aos direitos da infância e adolescência.




