Representantes do movimento Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas fizeram, na manhã desta quarta-feira (20), uma caminhada pela Esplanada dos Ministérios contra a proposta que a Câmara dos Deputados deve votar nos próximos dias para mudar as regras eleitorais. A AMB integra o movimento e participou do ato, que terminou com a entrega aos parlamentares de mais de 700 mil assinaturas de brasileiros que defendem uma Reforma Política democrática, com o fim do financiamento empresarial de campanha.

O presidente e o diretor-tesoureiro da AMB, João Ricardo Costa e Emanuel Bonfim, respectivamente, e o juiz eleitoral maranhense Marlon Reis, que integra o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), estiveram presentes e destacaram o engajamento da magistratura na campanha por uma Reforma Política democrática. “Acreditamos que um projeto de lei de iniciativa popular é o melhor caminho para promover as mudanças necessárias à lei eleitoral, que ajudem a combater a corrupção no país. Somente assim, a sociedade terá voz”, ressaltou João Ricardo Costa.

“Queremos uma Reforma Política democrática, com eleição limpa, barata, na qual as pessoas possam concorrer em igualdade de condições. Temos de barrar o que está acontecendo na Câmara dos Deputados, que vem fazendo uma discussão sobre a Reforma Política a toque de caixa, sem a participação da sociedade. Defendemos a mudança de baixo para cima, como foi na Lei da Ficha Limpa, e não fechada, entre quatro paredes do Congresso Nacional”, destacou Marlon Reis.

Dom Joaquim Mol, bispo auxiliar de Belo Horizonte e coordenador da Reforma Política da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB), disse que é preciso lutar e ter esperança de que para que o Congresso regulamente o projeto de iniciativa popular, que deve alcançar 1,5 milhão de assinaturas. “Estamos aqui para que o Congresso impeça, em um ato de coragem e de respeito ao povo brasileiro, a doação de recursos de empresas para financiamento de campanhas no Brasil, fechando assim uma das mais importantes portas da corrupção no nosso país”, assinalou.

 Aldo Arantes, secretário da Comissão de Mobilização para a Reforma Política da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse que a proposta que a Câmara dos Deputados pretende votar está na contramão da opinião pública e de seis ministros do Supremo  Tribunal Federal (STF), que já se manifestaram contra o financiamento empresarial de campanha. “A proposta que está lá vai constitucionalizar o financiamento privado de campanha. Um absurdo completo no momento em que o povo percebe a influência nefasta do poder do dinheiro no processo eleitoral.”

A manifestação foi acompanhada não só por representantes das entidades que compõem o MCCE – incluindo AMB, OAB e CNBB – como por integrantes dos movimentos trabalhistas e alunos de escolas públicas do Distrito Federal. Lucas Gabriel Miranda Negreiros, 16 anos, que estuda no Centro de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional do Gama, entende que o sistema eleitoral precisa mudar de forma a barrar a corrupção no país. “Esse modelo de financiamento de campanha tem de acabar”, opinou.

Na Câmara dos Deputados, parlamentares de diversos partidos se juntaram ao movimento em favor da Reforma Política democrática. O deputado Henrique Fontana (PT-RS) disse que a política brasileira está cada vez mais dominada pelo poder econômico. “Precisamos de um sistema político que retire as empresas do financiamento eleitoral”, ressaltou, acrescentando que é necessário aumentar a pressão democrática, uma vez que a proposta em discussão na Casa deve ser votada na próxima semana.

O governador do Maranhão, Flávio Dino, também disse que é preciso que o Parlamento vote uma boa Reforma Política para o país. “Não essa pauta conservadora e reacionária como muitos querem impor.  Sobretudo temos de enfrentar a questão do financiamento de campanha”, afirmou. O ato na Esplanada marcou o Dia Nacional de Mobilização contra Constitucionalização da Corrupção.

Márcia Delgado

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