Memorial da Justiça do TJ-PE instala laboratório para conservar processos
O Memorial da Justiça instalou, este mês, um laboratório de conservação preventiva de documentos. A aquisição foi possível graças à parceria firmada entre o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). A sala é composta por 11 itens, entre aparelhos e mobiliário, incluindo desumidificador de ar ambiente e mesa de higienização.
"O Tribunal de Justiça de Pernambuco foi responsável por 15% das aquisições, enquanto o BNDES financiou 85%", informou a chefe do Memorial da Justiça, Mônica Pádua. Segundo ela, o TJPE vai diminuir gastos com restauração, mais custosa do que a conservação do acervo.
O Memorial concorreu ao financiamento do BNDES em 2004, e teve o projeto aprovado no mesmo ano. Em 2006, foram realizadas as licitações e a compra dos equipamentos.
Atualmente, o Memorial conserva cerca de 60 mil processos históricos. "A preservação desses documentos é o nosso maior objetivo", explicou Mônica Pádua. Dois funcionários e dois estagiários são os responsáveis pela preservação de todo o acervo histórico. "É imprescindível a realização de cursos para que os funcionários aprimorem as técnicas de conservação e aprendam a lidar com os novos equipamentos", ressaltou Mônica Pádua.
Curiosidades Históricas
A digitalização dos 60 mil processos históricos contidos no Memorial da Justiça do Poder Judiciário estadual está trazendo descobertas interessantes. O caráter inusitado dos casos arquivados chamou a atenção do Memorial, que pretende torná-los públicos através de uma exposição.
"Ainda estamos em fase inicial, mas a idéia é fazer com que esses processos sejam conhecidos pelo público recifense. Eles são uma verdadeira aula de história brasileira do século XIX", diz o historiador do Memorial da Justiça, Adilson Silva. Curiosamente, alguns hábeas corpus da época são relacionados à prisão de capoeiristas. "A prática era considerada crime, conforme o Código Penal de 1890, artigo 402", explica o historiador.
A digitalização do acervo do Memorial consiste em resumir o teor do processo, identificá-lo através de uma ficha de inscrição e inseri-lo no software de busca. "É um procedimento que requer tempo, mas sempre possibilita essas descobertas", ressaltou a chefe do Memorial, Mônica Pádua.




