Ao longo das três últimas semanas, mais de 700 crianças e adolescentes do Centro de Ensino Fundamental 02 do Gama, cidade-satélite do Distrito Federal, usaram material da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) para aprender mais sobre cidadania e política às vésperas das eleições. Os alunos, com idades entre 12 e 17 anos, basearam-se na cartilha da Operação Eleições Limpas, campanha da AMB, na versão infantil deste livreto, feito pelo cartunista Ziraldo, e na Cartilha da Justiça em Quadrinhos, com histórias do personagem Brasilzinho.

A idéia partiu do coordenador do colégio, Deílson Pires, que viu as iniciativas da AMB sendo divulgadas na imprensa local e decidiu entrar em contato com a Associação. “É um ótimo material, que desperta a cidadania nos jovens”, elogia.

De posse do material enviado pela AMB, as turmas matutinas e vespertinas do colégio começaram a trabalhar para entender melhor o que significa ser cidadão e como estes cidadãos devem se inserir na política. Os cerca de 350 alunos do período da tarde, das turmas da 5ª e 6ª séries, dedicaram-se a preencher questionários com base no conteúdo das revistinhas.

O trabalho mais extenso, porém, ficou por conta das turmas de 6ª, 7ª e 8ª séries do período da manhã, com outros 370 alunos. Os professores usaram as cartilhas como base para um trabalho noticioso, que envolvia a confecção de um jornal-mural, feito pela 6ª série, um jornal dramatizado, produzido pela 7ª série, e um jornal impresso, obra da 8ª série.

A coordenação da parte artística dos projetos ficou a cargo da professora de Artes Marilsa Balbina da Costa. Já a parte teórica foi orientada por Mara Neiva dos Santos, professora de História. “Ensinamos, com o material da AMB, o conceito de política, o que está certo e errado na política atual, e induzimos a uma reflexão: qual o papel deles nisso?”, explica Mara.

Novo olhar

Alguns dos alunos que participaram do projeto têm um papel mais decisivo nesta eleição, pois votarão no dia 1° de outubro. Outros, embora não influam de forma direta no resultado da eleição, repercutem o que aprendem com a AMB, e cobram dos pais maior discernimento na hora de escolher seus candidatos. E os que não votam agora serão, um dia, eleitores mais preparados.

É o caso, por exemplo, de Cleiton Torres, 14 anos. Embora ainda não eleja seus representantes por meio do voto, o jovem assegura que, graças ao que leu no material da AMB, está mais preparado para quando o dia da escolha vier. “Antes, eu pensava que a política era somente corrupção. Agora que li o material da AMB, entendi que política não é só isso, e que temos de nos informar para discernirmos e votarmos bem”, disse.

O coordenador da escola também acha que o material da associação de magistrados foi útil para conscientizar os alunos. “Outras associações deveriam seguir o exemplo da AMB, pois os meninos da nossa escola não têm muito acesso a este tipo de campanha de conscientização”, acrescentou Deílson.

 

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