Cerca de 500 pessoas participaram do lançamento da campanha Mude um Destino, em favor das crianças e adolescentes que vivem em abrigos, na manhã de hoje, 24 de maio, no Fórum da Capital, em Cuiabá, durante o Encontro de Magistrados, Servidores e Equipe Técnica das Varas de Infância e Juventude do Estado de Mato Grosso.

A campanha idealizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) é trazida a Mato Grosso pela Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam) com o objetivo de mostrar à sociedade a realidade de crianças e jovens que vivem o drama de esperar por uma família que os acolha. A intenção é incentivar o retorno desses jovens à família biológica e estimular a prática da adoção.

A platéia foi às lágrimas ao assistir um trecho do documentário “O que o destino de Mandar”, produzido pela jornalista Ângela Bastos, com o apoio da AMB. O vídeo apresenta histórias de vida narradas pelas crianças institucionalizadas, a maioria vítima de violência doméstica.

O presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), Antônio Horácio da Silva Neto, disse que é muito difícil dizer alguma coisa depois de um vídeo tão comovente, mas questionou a platéia. “A sociedade e principalmente magistrados e magistradas, temos a necessidade de discutir qual destino queremos para nossas crianças”, afirmou ressaltando que a magistratura deseja encurtar a realidade de abandono e sofrimento. “Queremos que a realidade de nossas crianças seja a convivência num lar de amor, assim como o do casal apresentado no vídeo. Loiros, descendentes de alemães, adotaram crianças negras e são muito felizes”.

O coordenador nacional da Campanha Mude um Destino e secretário-geral adjunto da AMB, Francisco de Oliveira Neto, considerou em seu discurso que a iniciativa não é apenas da AMB ou da Amam. “Esta campanha é de todos os juízes de todo o Brasil”, afirmou. “A magistratura não pode ficar alheia a essa situação e precisa convocar a sociedade e esclarecer que muitas adoções não acontecem, não por burocracia, mas porque há outras questões, como o direito dos filhos de estar com sua família biológica”, ressaltou.

Hoje, o Brasil tem 80 mil crianças e adolescentes que vivem em abrigos, a maioria vítima da violência doméstica, mendicância, negligência e abandono. Oito mil deles estão disponíveis para a adoção, já que o restante (90%) ainda mantém laços com as famílias de origem.

Um dos objetivos dos magistrados é derrubar o mito de que adotar é um processo desgastante e burocrático. Isso só acontece com aqueles que condicionam a adoção ao sexo, cor e idade da criança. Já os que não fazem restrições têm pela frente um percurso sem grandes dificuldades. Outra proposta é mostrar os problemas sociais que levam as crianças para os abrigos, motivando programas que resgatem os valores familiares.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), 65% dos 80 mil abrigados são negros e 87% possuem família.

O Estado de Mato Grosso possui 334 crianças institucionalizadas, 151 do sexo masculino e 183 do sexo feminino. A maioria delas está no interior do Estado, 83%. Os números são da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) e foram atualizados em dezembro de 2006.

No total há 52 crianças de zero a três anos de idade, 40 na faixa de quatro a seis anos, 53 de sete a nove anos, 84 de 10 a 12 anos e 105, acima dos 13 anos de idade. Mais da metade, 56,5% tem mais de dez anos.

Das 334 crianças abrigadas no Estado, apenas 24 estão prontas para a adoção, sendo 14 saudáveis. Dez delas apresentam problemas de saúde e problemas mentais, tratáveis ou irreversíveis. Em Cuiabá, há 11 crianças prontas para a adoção, que vivem nas entidades Lar da Criança, Associação São Judas Tadeu, Lar da Solidariedade, Lar Doce Lar, Creche Caminho Redentor e Casa Nosso Lar.

Promover a conscientização sobre a realidade do dia-a-dia desses meninos e meninas é o primeiro passo para o incentivo à adoção e à reinserção familiar. Por isso, a AMB está investindo na ampla divulgação do problema, por meio da distribuição de material informativo e da mobilização dos seus 14 mil associados e de entidades da sociedade civil organizada.

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