Familiares de Magistrados assassinados recebem homenagem durante Encontro Internacional

Segundo dados do Poder Judiciário, não existe no Brasil uma estatística oficial sobre o número de juízes e promotores que são assassinados devido à repressão contra o crime organizado. O juiz criminal e curador do Encontro, Joemilson Donizetti Lopes, explica que são casos isolados e tratados na própria jurisdição.

Neste sábado (27), último dia do Encontro Internacional de Magistrados, familiares dos juízes Alexandre Martins de Castro Filho e Antônio José Machado Dias, e do promotor Francisco José Lins do Rego, assassinados quando investigavam a criminalidade organizada no Brasil, serão homenageados com o Diploma de Mérito "Lágrima de Ouro", às 17h30, antes do encerramento do evento.

"A homenagem representa a consternação de toda a classe de magistrados diante das mortes dessas autoridades na luta contra a corrupção e o crime organizado", afirma o juiz Joemilson Lopes.

Alexandre Martins de Castro Filho (ES)

O juiz Alexandre Martins de Castro Filho foi executado na manhã de 24 de março de 2003, em Vila Velha, Espírito Santo. Ele foi baleado na cabeça, no tórax e no braço direito por dois homens que estavam numa motocicleta. O juiz, da 5ª Vara de Execuções Penais de Vitória, investigava denúncias de venda de sentenças no fórum de Vitória e integrava a missão especial de combate ao crime organizado no Espírito Santo. Dez dias antes do assassinato dele, outro juiz responsável por investigações sobre o crime organizado havia sido assassinado no interior de São Paulo.

Responsável pela transferência do coronel da PM capixaba Walter Ferreira, considerado o braço armado do crime organizado no estado, para um presídio no Acre, Alexandre Martins, de 32 anos, foi atingido quando chegava a uma academia de ginástica. Ousado, Alexandre Martins tinha inimigos dentro e fora do Judiciário. Ele foi responsável por decisões que desafiaram a chamada máfia capixaba e investigava a ligação de magistrados com o crime organizado do estado. O Tribunal do Júri de Vila Velha condenou os dois assassinos confessos do juiz por homicídio qualificado, furto de arma e formação de quadrilha. Odessi Martins da Silva Júnior, o Lumbrigão, foi condenado a 25 anos e oito meses de prisão. Giliarde Ferreira de Souza foi condenado há 24 anos e seis meses.

Antônio Machado José Dias (SP)

O juiz Antônio Machado José Dias, foi vítima de uma emboscada e morto a tiros em seu carro, no dia 14 de março de 2003, no município de Presidente Prudente (SP), quando voltava do fórum da cidade para sua casa. Antônio Machado José Dias era juiz-corregedor de sete presídios na região de Presidente Prudente, no interior do Estado de São Paulo. Cabia a ele decidir sobre benefícios, sindicâncias e pedidos de advogados dos presos.

Eram cerca de cinco mil pedidos de benefícios por ano, procedimentos considerados comuns entre juízes-corregedores e que não seriam motivo razoável para o assassinato. Estavam sob a responsabilidade de Antônio Machado José Dias a análise das situações processuais de parte da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa que age dentro dos presídios do estado de São Paulo e do processo do traficante carioca Fernandinho Beira Mar. O juiz-corregedor Antônio Machado já havia sido ameaçado por carta e chegou a ser escoltado por um tempo, porém liberou os policiais dois dias antes de morrer por não se sentir mais ameaçado. As investigações apontaram que ascartas que ameaçavam o juiz vieram de dentro da penitenciária da cidade.

Francisco José Lins do Rego(MG)

Neto do escritor José Lins do Rego, o promotor Francisco José Lins do Rego Santos foi morto no dia 25 de janeiro de 2002, em uma das ruas mais movimentadas de Belo Horizonte. Parado com seu Golf num sinal de trânsito, teve morte instantânea quando dois homens em uma motocicleta dispararam 16 tiros de pistola automática. Treze atingiram o peito, o pescoço e a cabeça de Lins. No Ministério Público havia 15 anos, ele tinha 43 anos e investigava o cartel dos combustíveis na capital mineira.

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Adriana Bernardes
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