“Temos de dar um passo para trás e discutir mais a reforma política”. É o que pensa o deputado federal Fernando Chucre (PSDB-SP), mais um dos parceiros da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) na campanha Reforma Política: conhecendo, você pode ser o juiz dessa questão. A intenção do projeto é incentivar a participação da sociedade nos debates sobre o assunto, esclarecendo os principais pontos do sistema eleitoral vigente no país e que podem sofrer mudanças.

Natural de Carapicuíba, um dos municípios mais pobres do Estado de São Paulo, o parlamentar distribuiu 2,1 mil exemplares da cartilha da campanha da AMB em escolas, igrejas, organizações não-governamentais, associações de bairro e outras instituições da cidade. “Tentamos fazer uma campanha de esclarecimento sobre a importância do voto consciente, a reforma política em si e a importância de os jovens se manifestarem em relação ao assunto”, conta Chucre.

Confira abaixo a entrevista que o deputado federal concedeu ao Portal da AMB:

Portal AMB – Em sua opinião, qual a importância de a magistratura brasileira estar engajada pela reforma política?
Fernando Chucre
– Acho muito importante, primeiro, por uma questão prática: normalmente o magistrado se envolve diretamente e tem um conhecimento muito claro dos problemas que o sistema eleitoral atual oferece aos candidatos. Por isso é que, para a mudança do sistema como um todo, é muito importante termos a participação dos juízes nos debates sobre o tema, pois são eles quem recebem e julgam esses processos.

Portal AMB – O senhor defende a participação da sociedade nos debates sobre esse tema? Por quê?
F. C.
– Defendo totalmente. Distribuímos as cartilhas da AMB em escolas, igrejas, organizações não-governamentais, associações de bairro e outras entidades civis organizadas do meu município para que as pessoas recebessem informações sobre o que está sendo discutido na Câmara, de forma clara e simples. Procuramos dar foco aos jovens de Carapicuíba, que não têm acesso à informação e fazem questão de não se interessar por assuntos como política. Tentamos fazer uma campanha de esclarecimento sobre a importância do voto consciente, a reforma política em si e a importância de eles se manifestarem em relação ao assunto.

Portal da AMB – O senhor acredita que há mesmo necessidade de uma reforma política no Brasil? Por quê?
F. C. –
Defendo que deve haver sim uma reforma política, principalmente, para aproximar o representante do representado. Na minha opinião, esse é o maior problema que temos hoje na política nacional e eu sinto isso na pele. Durante o período eleitoral, todos os candidatos são presentes, pois andam horas pelo município, conversam com seus eleitores e discutem os problemas da sociedade. No caso específico de deputado federal, vimos para Brasília, passamos quatro dias fora da nossa cidade natal e, quando voltamos, temos dificuldade de manter bom contato com a população local. O ideal é aproximar o representante do representado, e isso pode ser obtido pelo voto distrital. O representado pode ser fiscalizado e cobrado pelo seu eleitor, que verá o que o parlamentar está fazendo pela cidade, pela região.

Portal AMB – Além do voto distrital, quais os pontos do sistema político/eleitoral que o senhor espera que sofram alterações?
F. C.
– Espero que sejam aprovados o financiamento público, a fidelidade partidária e a proibição de coligações proporcionais, principalmente. Quanto ao financiamento público, acredito que deva ser feita uma ampla discussão com a sociedade, talvez até um plebiscito. Isso porque é indefensável hoje, com a quantidade de escândalos que vimos na imprensa e, principalmente no processo político, se pedir que haja um comprometimento de parte dos recursos da União no processo eleitoral, sem que haja uma anuência expressa da maior parte da população brasileira. Esse seria o caminho adequado.

Portal AMB – O senhor acredita que a reforma política aconteça ainda nesta legislatura?
F. C.
– Acho que o máximo que nós vamos conseguir é votar a questão da proibição das coligações, pois estão sendo apreciados remendos ao projeto original, e vejo pouca possibilidade de haver acordo em Plenário sobre esses pontos. Temos de dar um passo para trás, para estudarmos um novo projeto, mais completo, com a participação da sociedade, mesmo que não seja para a eleição de 2008. Que esse processo seja feito de uma forma mais participativa. Do jeito que está sendo proposta a reforma política, por um grupo de líderes, em uma sala fechada, e levada a Plenário, dificilmente terá sucesso e não atenderá ao que a sociedade espera. Sou contrário à mudança pela mudança. Ou fazemos alterações para vermos resultados concretos, ou não fazemos a reforma.

 

 

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