Homem de ferro

Cruzar a linha de chegada do Ironman Brasil em Florianópolis (SC), em 2013, representou a realização de um sonho para o magistrado potiguar Paulo Giovani de Alencar: ao completar 40 anos, ele cumpria um desafio pessoal, ao lado da família. Foram dois anos de preparação para vencer os 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida. A prova foi concluída em 13 horas e 56 minutos.
“O desgaste é realmente grande: seu corpo é testado, levado ao limite. Sua mente é submetida a provações. Você é tentado inúmeras vezes a desistir, tamanho é o sofrimento. Apesar de tudo isso, a glória de cruzar aquele pórtico final é incomensurável”, garante Paulo.
Engana-se quem presume que encarar a competição é tarefa apenas para atletas que se dedicam integralmente às atividades esportivas. Paulo é juiz há 19 anos, atua no 4º Juizado Especial Cível Central da Comarca de Natal (RN), e nos últimos dois anos acumulou a titularidade da 2ª Zona Eleitoral do estado. Ele ainda ministra aulas na Escola da Magistratura do Rio Grande do Norte (Esmarn) e, além das funções profissionais, dedica tempo à esposa – a também juíza Hadja Rayanne – e aos filhos, Samuel e Samira.
Paulo conta que sempre praticou esportes e participava de corridas de rua desde 2010, tendo como objetivos principais o emagrecimento e a melhora da saúde. O triatlo entrou em sua vida no ano seguinte. “É um estilo de vida. Você se torna mais disciplinado por conta dos treinos; passa a ter mais paciência e fica mais perseverante com suas metas e projetos pessoais”.
Os treinos, aliás, são duros. O magistrado acorda às 4 horas da madrugada, faz a refeição pré-treino e segue para as corridas e pedaladas. Cerca de duas horas depois, ele está de volta para um café da manhã reforçado, e aí é hora de trabalhar. No fim da tarde, depois do expediente, vem a segunda rodada, com natação ou corrida, revezando-se com o pilates para fortalecer a musculatura e alongar o corpo. Isso de segunda a sexta, porque aos sábados e domingos os treinos chegam a durar 6 horas. “Por vezes, é preciso fazer concessões para não criar conflitos familiares por conta das longas horas de treino”, confidencia.
Depois do primeiro Ironman, vieram outros dois, em 2014 e 2015, também disputados na capital catarinense. “Na mais recente, agora em 31 de maio, estabeleci meu melhor tempo na prova: 11 horas e 58 minutos”.
Além das recompensas pessoais, o magistrado também comenta os benefícios para o trabalho. “A prática esportiva é o melhor remédio para a prevenção de doenças e combate aos famigerados estresse e depressão, que tanto assolam a carreira da magistratura”.
Com tanto a comemorar, ele deixa a dica aos colegas: “Quem pratica esporte não perde tempo, ganha vida! Com paciência e boa vontade, qualquer pessoa pode conciliar o esporte com o trabalho”.
Luciana Salimen




