Um dos principais críticos modernos do capitalismo, Franz Hinkelammert, doutor em Economia pela Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, participou da programação científica do XIX Congresso Brasileiro de Magistrados no painel Judiciário e Economia. Durante sua exposição, o economista e filósofo alemão radicado na Costa Rica  acusou o mercado livre de ser um “novo totalitarismo, implantado por uma burocracia do capital”.

O tema contundente de sua palestra já podia ser antevisto na entrevista que o economista concedeu ao hotsite do Congrese, pouco antes de sua exposição inicial. “A estratégia macroeconômica utilizada atualmente é um problema para todo o desenvolvimento dos direitos humanos”, disse.

Leia a seguir a entrevista.

AMB - Qual é a sua posição com relação a uma economia sem relação com o desenvolvimento social?
Franz Hinkelammert
- A crítica que faço é sobre a estratégia macroeconômica que se é utilizada atualmente, excluindo o desenvolvimento social. É um problema para todo o desenvolvimento dos direitos humanos, que se choca constantemente com a política econômica. Por isso, acredito que se faz necessária uma mudança fundamental.

AMB - Como acontece esse choque entre direitos humanos e política econômica?
Franz Hinkelammert -
O mercado pensado sem distorções, como é moda dizer atualmente, é um mercado sem proteção para o trabalho ou o meio ambiente. É um mercado selvagem. O sonho da atual estratégia econômica é a selvageria. Para citar [o pintor espanhol dos séculos XVIII e XIX] Goya, “o sonho da razão produz monstros”.

AMB - E o Judiciário pode interferir para mudar isso?
Franz Hinkelammert -
Não muito, mas sempre há algo. Creio que há espaços que a competência do juiz está ao largo, e que se podem aproveitar. Mas sem uma mudança na própria lei, esta influência não tem como ser muito grande, embora em alguns casos possa vir a ser decisiva.


 

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