O ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel esteve nesta quinta-feira, dia 19 de janeiro, na sede da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em Brasília (DF), para conhecer as estratégias de ação da mais nova iniciativa da entidade: a “Operação Eleições Limpas”. Everardo conversou sobre o assunto com o presidente da Associação, juiz Rodrigo Collaço, e o assessor da Presidência, juiz Gervásio dos Santos Júnior.

O objetivo da AMB é mobilizar os juízes eleitorais em torno da fiscalização dos gastos das campanhas e esclarecer os cidadãos, com destaque para os empresários, sobre as formas corretas de realizar doações a candidatos. No mesmo dia da conversa com Everardo, Collaço encaminhou ao então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Velloso, 12 propostas a serem agregadas à minuta de resolução preparada pelo tribunal para regulamentar de forma mais rigorosa as eleições de 2006 (clique aqui para conhecê-las).

Lembrando os recentes escândalos envolvendo o caixa dois de campanhas, Everardo ressaltou que o crime eleitoral também tem uma face fiscal e que por isso “as instituições republicanas devem trabalhar de forma articulada para coibir esse tipo de delito”.

Segundo ele, o movimento conjunto de vários setores da sociedade permitirá que se realize “uma mudança completa em tudo o que se faz hoje nas campanhas eleitorais”. Everardo disse ainda que a iniciativa da AMB é uma posição muito adequada assumida pela magistratura e eficaz no convencimento da população para cobrar o aperfeiçoamento do processo democrático para se realizar eleições limpas.

Ele se colocou à disposição da entidade para colaborar “no que possa ser útil” e afirmou que as várias propostas apresentadas pelo TSE e AMB representam mudanças relevantes na forma de doações e prestação de contas eleitorais, reforçando a fiscalização de delitos nessa área não só no âmbito eleitoral, mas também fiscal.

Dentre as várias propostas apresentadas pela AMB, Everardo destacou a que prevê a viabilidade de reabertura das contas na hipótese de inconsistência entre as informações prestadas pelos doadores à Receita Federal e aquelas que constam da prestação de contas (décima segunda proposta da Associação). “A Justiça poderia voltar a intervir no processo investigando o político por um delito. Isso impediria a situação literalmente ridícula que faz com que políticos sejam cassados porque mentiram, não porque roubaram”, afirmou ele.

Perfil
Everardo Maciel nasceu em Pesqueira (PE), é casado e tem quatro filhos e um neto. Ele é formado em geologia e já exerceu os cargos de secretário da Fazenda de Pernambuco e do Distrito Federal e secretário da Receita Federal nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso. Hoje é consultor privado.

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