A relação entre Justiça e sociedade foi uma das reflexões feitas na tarde desta sexta-feira (30) pelos participantes do XXII Congresso Brasileiro de Magistrados, que está ocorrendo em Rio Quente (GO). O Painel II “Justiça e Sociedade: Percepções e Experiências” tratou deste tema e reuniu o professor da Universidade de São Paulo (USP) Sérgio Adorno, a juíza Gláucia Falsarella Foley e o desembargador Nuno Coelho, de Portugal.

O primeiro a falar foi o professor Sérgio Adorno, que atualmente é professor titular em Sociologia e diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), além de coordenador científico do Núcleo de Estudos da Violência da USP. Adorno abriu sua fala com uma frase de impacto: “Há algo que nos divide – a violência”. “A despeito da imagem de que somos uma sociedade unificada, a violência nos divide”, reforçou.

O professor fez um apanhado sobre a violência no Brasil desde a década de 1970. Disse que os crimes graves, como homicídio, cresceram assustadoramente, assim como os relacionados ao patrimônio. E afirmou ainda, com base em uma pesquisa feita por ele no Estado de São Paulo, que a Justiça “precisa responder às demandas da sociedade com mais justiça e menos punição”.

A segunda a falar foi a juíza Gláucia Foley, que coordena o Programa Justiça Comunitária do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). Ela disse que a premissa do projeto desenvolvido no DF há 15 anos é o papel da sociedade na construção da Justiça. “A Justiça Comunitária é para a comunidade, na comunidade e pela comunidade”, destacou.

A partir de formação de agentes comunitários, é a própria comunidade quem trabalha na mediação de conflitos e no esclarecimento de direitos aos cidadãos. A ideia, de acordo com a juíza, é transformar o conflito em transformação social.

O último a expor suas ideias foi o desembargador Nuno Coelho, atual presidente do Conselho  da União Internacional dos Juízes de Língua Portuguesa (UIJLP). Ele disse que a sociedade exige um novo perfil de Justiça e, em função disso, o ofício e a função do juiz têm sido ampliados. “O juiz vem como mediador, conciliador, com uma articulação mais rica na Justiça comunitária. Se o direito não servir para a vida das pessoas não serve para nada” finalizou. O debate foi mediado pelo juiz Wilson Dias, vice-presidente Administrativo da AMB.

Márcia Delgado

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