Depois de Vitória (ES), o município capixaba de Atílio Vivacqua também conheceu a campanha Mude um Destino, da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). No dia 24 de abril, a juíza Marlúcia Ferraz Moulin promoveu um café da manhã no Fórum para apresentar o projeto. Cerca de 120 pessoas participaram do evento, entre líderes religiosos, advogados, secretários municipais, psicólogas, assistentes sociais, representantes da promotoria de Justiça, pedagogos, além de servidores do poder Judiciário e do Ministério Público. “Os formadores de opinião e fomentadores das políticas públicas precisam conhecer os detalhes da campanha, pois todos os nossos atos devem estar voltados para uma gestão de parceria com a comunidade, visando prevenir situações como as relatadas no documentário que foi apresentado no lançamento e causou muita comoção”, afirmou Marlúcia.

Leia a seguir entrevista completa com a magistrada.

Portal AMB - O que motivou a Sra. a promover o lançamento da campanha em sua comarca?
Marlúcia Ferraz Moulin
- A motivação principal foi  levar ao conhecimento e esclarecer acerca da responsabilidade individual e institucional. Ficou mais do que explícito para todos os presentes que as nossas atitudes de hoje terão conseqüências boas ou más em nossas crianças e  adolescentes. A discussão feita após o documentário foi muito forte no sentido de convocar todos a tomarem medidas preventivas de forma urgente, cada um em sua área de atuação, sendo feito um pacto de amor pelas crianças e adolescentes.

Portal AMB - Qual a importância de a sociedade brasileira discutir a situação das crianças que vivem em abrigos?
MFM -
Esta campanha demonstra que a AMB está muito além de uma associação corporativista, mas que está pensando e atuando para resolver os problemas dos cidadãos e apresentando as possíveis soluções práticas que possam ser desenvolvidas por nós, juízas e juízes.  Além disso, contamos com todo o amparo institucional da AMB, quanto aos materiais de divulgação e à força vinculada a uma organização de caráter nacional. A campanha aponta para pequenos seres esquecidos por quase todos, mas que individualmente tem histórias muito semelhantes: faltou amor e sobrou algum tipo de violência, quase sempre no seio da família, que é o lugar mais sagrado que temos.

Portal AMB - Ao propor esse debate, a AMB pretende colocar em pauta a questão do abrigamento, muitas vezes causado pela falta de estrutura das famílias. Na opinião da Sra., é possível envolver a magistratura nessa discussão?
MFM -Na área periférica dessa campanha, penso que há muito por fazer no sentido de evitar que essas crianças tenham reduzidas as chances de algum dia serem encaminhadas a uma instituição. São atividades preventivas mas que fazem com que a família seja convocada a estar mais unida em direção às crianças e adolescentes. Desenvolvo várias atividades nesse sentido e os resultados têm sido excelentes. Podemos e devemos fazer muito pela nossa comunidade de crianças e adolescentes, como juízes e juízas, basta vontade e criatividade. Exemplo e estímulo não nos falta e é este o nobre papel que está cumprindo a Associação dos Magistrados Brasileiros.

 

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