Os profissionais da arte, como escritores, músicos e atores, muitas vezes têm o fruto de seus trabalhos transformados em herança para a cultura de seus países. Mas a morte de um artista faz, ainda, de seus familiares herdeiros da produção intelectual, direito garantido por lei e muitas vezes descumprido. Foi o que aconteceu com a família do escritor paraense Dalcídio Jurandir, que terá a história contada nesta quarta-feira, 7 de fevereiro, pelo programa Casos de Justiça, exibido pela TVE Brasil, às 19 horas.

Dalcídio Jurandir, morto em 1979, é considerado um dos maiores escritores da Amazônia, teve vários livros publicados e muitos prêmios em sua carreira. Com a morte da mãe de José Roberto, nos anos 90, uma revelação movimentaria a vida dos herdeiros de Dalcídio Jurandir: o filho José Roberto Freire Pereira descobriu que as obras do pai estavam sendo exploradas indevidamente. Uma editora do Pará editou livros de Jurandir mesmo depois de um contrato terminado. Durante anos a família não recebeu qualquer quantia referente à comercialização dos livros.

Ao mesmo tempo em que se mobilizava para garantir os direitos autorais da obra de Jurandir, a família descobriu um acervo de valor inestimável que, hoje, está sob a proteção da Fundação Casa de Rui Barbosa.

José Roberto entrou na Justiça contra a editora que vinha explorando a obra do pai e ganhou o direito à restituição dos valores obtidos com as vendas depois do contrato expirado. Com o dinheiro, a família planeja investir mais efetivamente na divulgação da obra de Dalcídio Jurandir que, apesar de ocupar um lugar de destaque na literatura brasileira, ainda é pouco conhecido nos estados do Sul e do Sudeste.  

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