A missão panamenha que esteve nesta terça-feira, 19 de setembro, visitando a sede da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em Brasília (DF), continua sua agenda de viagens pelo Brasil até esta sexta-feira, 22 de setembro. Mas é certo que os magistrados e funcionários de órgãos internacionais que integram a comitiva já levam na bagagem uma série de experiências a serem aproveitadas no Panamá, onde pretendem implantar idéias que ouviram do presidente da AMB, Rodrigo Collaço, e de outros magistrados da Diretoria da entidade, durante a reunião de terça-feira

É o que afirma a magistrada Graciela Josefina Dixon Caton, presidente da Corte Suprema de Justiça do Panamá, na entrevista que concedeu ao portal da AMB. Com sua experiência como presidente da Federação Latino-americana de Magistrados (Flam) e presidente da Associação Internacional de Mulheres Juízas (IAWJ), ela considerou como inovadoras várias idéias executadas pela AMB.

AMB - Durante a reunião, a senhora mostrou-se impressionada com alguns aspectos da AMB. Seria possível relembrá-los?

Graciela - Em primeiro lugar, quero dizer que a delegação panamenha de magistrados e funcionários de órgãos internacionais que visita o Brasil sente-se honrada pela oportunidade de compartilhar as experiências brasileiras. Destacamos, ainda, a atividade que desenvolve a AMB, considerando-a de grande importância, pelo papel que desempenha. Acreditamos que a atitude propositora da AMB, sua capacidade de sugerir inclusive reformas legislativas, sua intervenção dinâmica no fazer cidadão — e mesmo seu trabalho combinado com o sistema de Justiça, para torná-lo mais eficiente, mais eficaz do ponto de vista da transparência, do acesso à Justiça por parte do cidadão -, representa um exemplo do valor que tem o associativismo Judiciário. Também levo como uma grande experiência para o Panamá as explicações do presidente da AMB, Rodrigo Collaço, no sentido do valor insubstituível que tem a informatização para o trabalho dos juízes.

AMB - A informatização, aliás, foi o principal motivo que fez com que vocês viessem para cá, não?

Graciela - A informatização é o eixo que mobilizou a delegação até este país irmão. Nós estamos empreendendo esforços para modernizar o sistema de Justiça panamenho — mais especificamente, entrar na era digital. E ouvir de magistrados brasileiros que não é concebível administrar a justiça sem informatização, sem trabalhar com um equipamento de tecnologia de ponta, é muito incentivador, pois estamos, no Panamá, justamente, tratando de convencer os cidadãos e as autoridades do país que já não podemos mais manter o Judiciário com o velho esquema de trabalho. Nesse sentido, as palavras de Rodrigo Collaço, enquanto presidente da AMB, nos incentivam. Foi importante, também, ouvi-lo dizer que a informatização da Justiça é o que possibilita a transparência – em outras palavras, é o que permite que os cidadãos conheçam, em tempo real, o trabalho do Judiciário - e facilita a informação estatística, colocando-a ao alcance do usuário.

AMB - Algumas idéias da AMB poderiam ser aproveitadas no Panamá?

Graciela - Sim, principalmente dois aspectos essenciais que nos impressionaram muito. Um é o nível de organização que tem a AMB, uma associação nacional que aglutina mais de 14 mil magistrados, e que se sustenta somente com a contribuição dos filiados. Esse é um modelo que queremos estimular. Obviamente, nosso país é bem menor, e nossa magistratura é composta por muito menos juízes, mas ainda assim estamos conscientes de que o associativismo é um valor necessário e queremos levar isto como um exemplo. E também queremos levar como exemplo o nível de consciência e maturidade da AMB, que se reflete em seu papel de não se limitar às reivindicações corporativas dos juízes — que são importantes. A entidade foi além disso e passou a incorporar em sua agenda o que interessa aos cidadãos. Esses são alguns valores que levo ao meu país e que pretendo passar à associação de magistrados local e a toda a estrutura jurídica panamenha.

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