Na quarta-feira, 23, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) recebeu, das mãos do presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), José Carlos Schmidt Murta Ribeiro, em ato simbólico, as chaves de sua sede histórica. O espaço havia sido fechado no início de 2006, por divergências entre a então direção do TJ-RJ e a AMB em questões que envolviam nepotismo e a sistemática de promoção de juízes. Após o fechamento, o espaço foi destinado à Associação Nacional de Desembargadores (Andes), entidade que mais se contrapunha à AMB nestes assuntos.

Para o atual presidente do TJ-RJ, a iniciativa de devolver a sala à AMB é uma forma de promover a união entre juízes e desembargadores. “Não há como ficarmos separados, até porque separação mostra fraqueza. A unidade mostra força. Precisamos caminhar unidos para o bem do Judiciário”. Segundo ele, o ato simbólico de entrega das chaves da sala da AMB também representa a busca de preservar a história da entidade, que foi criada e fundada no Rio de Janeiro, em 1949. “Esta sala é histórica”, enfatizou.

O presidente da AMB, Rodrigo Collaço, por sua vez, elogiou e agradeceu a iniciativa do presidente do TJ-RJ. “Eu não tenho dúvida de que essa devolução do espaço da AMB acontece sob a presidência do desembargador Murta Ribeiro por sua disposição para o diálogo, para a conciliação”.

Collaço destacou, ainda, que o ato demonstra a observância, por parte do presidente do TJ-RJ, ao princípio da impessoalidade. “Ao devolver esse espaço à AMB, o desembargador nos mostra que somos muito menores que as instituições que, episodicamente, representamos. Em breve não estaremos mais aqui, mas as instituições são perenes”.

O magistrado lembrou que nenhum eventual desentendimento entre integrantes da AMB e do Tribunal pode ter a capacidade de comprometer a  história da Associação. “O que sempre me entristecia nesse episódio da sala, mais que o agravo à AMB, era o agravo à magistratura do Rio de Janeiro, porque foi aqui que a entidade foi fundada e precisamos manter aceso o respeito às pessoas que a criaram”.

O presidente da AMB afirmou, ainda, que o ato de recebimento das chaves “tem uma representação importantíssima para a magistratura como um todo”. Rodrigo Collaço aproveitou a oportunidade para parabenizar e agradecer os magistrados cariocas que “lutaram para tornar possível a reintegração da sede histórica da entidade”.

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