Preocupado com o grave atentado ocorrido no fórum desembargador Emílio Fleury de Brito, em Goiatuba, que fica a 175 quilômetros de Goiânia, o presidente da AMB, João Ricardo Costa, esteve na manhã desta quinta-feira (11) na unidade judiciária que foi incendiada e se solidarizou com os magistrados que trabalham no local. Ele visitou as dependências acompanhado dos presidentes da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego), Wilton Müller, da Associação dos Magistrados do Distrito Federal e Territórios (Amagis-DF), Sebastião Coelho, e de juízes da região.

“Minha tristeza é que aqui queimou não só um acervo, mas o anseio de vários cidadãos, o trabalho de muitos juízes e servidores. Nós temos a capacidade de refazer tudo o que foi destruído. A Justiça de Goiás e a brasileira não vão parar, não vão se intimidar com esse tipo de atentado”, disse João Ricardo Costa.

O presidente da AMB destacou que a instituição não medirá esforços na luta por mais segurança para a categoria e servidores da Justiça. “AMB mantém uma comissão especial que trabalha com o CNJ para executar propostas como aumentar o número de detectores de metais, que hoje estão em apenas 36% das unidades de primeiro grau, por exemplo", informou.

Na conversa com os juízes, João Ricardo Costa ouviu as reivindicações, falou das ações da entidade em prol da segurança e afirmou que apoiará os colegas de forma irrestrita.  Em seguida,  ligou para o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), Leobino Chaves, e relatou a preocupação dos juízes.

 O diretor do fórum, Marcus Oliveira, falou que o incêndio afetou toda a estrutura de trabalho. “Vivemos um ambiente muito familiar aqui entre servidores e juízes no atendimento à população, mas estamos fortes para poder continuar e começar do zero, porque é o que nos interessa”, afirmou.

Ele adiantou que está alugando um prédio adequado, onde funcionava um hospital, para que as atividades possam ser retomadas o mais rápido possível. Marcus garantiu que o incêndio, supostamente criminoso, não afetará a prestação jurisdicional e atrasará um pouco até a restauração dos autos. “A presença da AMB e da Asmego demonstra que não estamos sós. Uma ofensiva dessa em nada nos diminui, em nada nos enfraquece. Estamos firmes no propósito de prestar a jurisdição a todos que precisam”, disse.

O presidente da Asmego, Wilton Müller, afirmou que o Judiciário vai se estabelecer imediatamente na comarca. “A população não vai ficar carente do serviço do Judiciário, os processos que foram incinerados fisicamente serão restabelecidos virtualmente. A comarca de Goiatuba vai ser a primeira do Estado no interior a ser digitalizada e o trabalho vai continuar”, adiantou.

Segundo Sebastião Coelho, a visita foi fundamental, especialmente pela presença do presidente da AMB. “Foi um conforto para os colegas que atuam lá e também para os juízes de todo o  Estado de Goiás”, pontuou o presidente da Amagis-DF.

A magistrada Débora Veríssimo contou que, mesmo com o susto, não se sente intimidada. “Eu e meus colegas que trabalham aqui não estamos intimidados. Pelo contrário, vamos agora trabalhar com mais afinco para mostrar à sociedade que nada intimida a gente”, frisou a juíza ao dizer, ainda, que a presença da AMB e da Asmego trouxe conforto e ajudou a resolver algumas questões locais que estavam pendentes.

 Fórum – O local foi incendiado na madrugada dessa quarta-feira (10) por dois homens que invadiram o fórum após render o segurança, de acordo com informações do Corpo de Bombeiros Militar. As chamas consumiram cerca de 80% da unidade, além de centenas de processos e documentos. Mais de 10 mil processos foram queimados e apenas 247 não foram destruídos. Além disso, 1.200 estão digitalizados no sistema  e não foram prejudicados.

A unidade judiciária possui duas varas e conta com três juízes e setenta funcionários.

Renata Brandão

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