Na terra dividida pelo boi garantido e caprichoso, o juiz Aldrin Rodrigues mostra a importância da pacificação dos conflitos judiciais por meio da conciliação. Pelo menos uma vez por ano, o magistrado atende a população no meio da praça ou em escolas da pequena Parintins e incentiva acordos entre as partes. Também não mede esforços para viajar mais de oito horas de barco e levar cidadania aos rincões do Amazonas, onde vivem índios, comunidades ribeirinhas e agricultores.

Aldrin Rodrigues está entre os milhares de magistrados que colocam a Justiça frente a frente com o cidadão. Um exemplo: recentemente, ele foi até a comunidade indígena de Nova Alegria onde fez um casamento comunitário. Com o apoio da Funai, aprendeu até algumas palavras do dialeto falado na região para atender ao chamado da população local. Em outra ocasião, foi até Caburi, uma comunidade rural a oito horas de distância de Parintins, já que não conseguia intimar um jurisdicionado.

De tanto ser questionado pelos moradores se torcia para o azul ou vermelho (cores que dividem a cidade ao meio durante o Festival de Parintins), ele acabou escrevendo uma canção com o seguinte refrão: “Não importa a cor, mais vale o amor. O importante é conciliar”. A música, que virou clipe e hino da Semana de Conciliação, é mais uma forma de aproximar a Justiça da comunidade. A iniciativa é sem fins lucrativos. Por meio de uma cartilha, o magistrado também mostra como funciona o juizado especial criminal. E nos mutirões e nos diversos projetos comunitários que promove em Parintins, recebe o apoio de instituições e órgãos locais.

 Ajuda a quem precisa

 Em Goiás, os magistrados promovem mutirões para atender pedidos de aposentadoria, de pensão e de benefícios previdenciários. Chegam a rodar 600km para alcançar quem mais precisa. Muitas vezes, vão a hospitais e até mesmo nas casas dos requerentes com dificuldades de locomoção.

O juiz Vinicius Caldas da Gama e Abreu, titular do Segundo Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Itumbiara (GO), participa dos mutirões. “É muito gratificante ver o Judiciário funcionando como deve funcionar, respondendo aos anseios da população de forma rápida e adequada”, ressalta. “Quando conseguimos garantir direitos aos mais necessitados, a sensação é de dever cumprido”, acrescenta o juiz Reinaldo de Oliveira Dutra, titular do Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Acreúnas e coordenador do Núcleo Previdenciário do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO).

Márcia Delgado

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