6º Enajun reúne Magistrados(as) em encontro de valorização da população e da comunidade jurídica negra

Evento está consolidado no calendário da Magistratura e abarca todos os ramos da Justiça
O 6º Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros (Enajun) reuniu em Brasília, nos dias 22 e 24 de novembro, Presidentes das Cortes Superiores, Magistrados e Magistradas e outras autoridades do Poder Judiciário em atuação pelo reconhecimento da população negra e da comunidade jurídica negra. A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que a cada ano vem contribuindo para a organização e divulgação do Enajun, esteve presente na abertura do encontro e no painel que tratou das estratégias para a maior visibilidade das pessoas negras.
Na solenidade de abertura realizada na quarta-feira (22), na sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST), participaram o Presidente do TST, Ministro Lélio Bentes; o Presidente do STF e do CNJ, Ministro Luís Roberto Barroso; e outras autoridades. Pela AMB, marcaram presença o Diretor-Geral de Igualdade Racial, Marco Adriano Ramos Fonseca; a Vice-Presidente Administrativo, Julianne Freire Marques; e o Secretário da AMB, Marcel Ferreira dos Santos.
História, memória
e resgate
O Diretor-Geral de Igualdade Racial, Marco Adriano Ramos Fonseca, destacou que o Enajun é um evento consolidado. “Todos nós que estamos aqui demos uma grande contribuição a esse movimento, à afirmação dos direitos que reivindicamos, lutamos historicamente e conquistamos. E consolidamos esse evento no calendário de formação da Magistratura e na carreira de todos os ramos da Justiça”, comentou.
O Diretor-Geral de Igualdade Racial da AMB foi o mediador do painel “Resistir para (re)existir: estratégias de luta e de permanência da população negra no Brasil”. O debate contou com a participação da Diretora-Geral do Arquivo Nacional, Ana Flávia Magalhães Pinto, e do Juiz de Direito Agenor Gomes (TJ-MA).
Abordando a importância da comunicação, da história e do direito, a Diretora-Geral do Arquivo Nacional disse que é preciso “lembrar o que muita gente quer fazer esquecer” em referência ao mito da supremacia branca e da permanência do racismo e da escravidão contemporânea.
“Pensando nas experiências do Judiciário, como temos organizado os registros para que as vozes dos excluídos e subalternizados não apareçam e não sejam perceptíveis, tão somente por força de uma capacidade de leitura a contrapelo dos documentos e, sim, a partir dos termos em que esses sujeitos reivindicam a sua existência nesse jogo. Essa é uma reflexão que depende muito da atuação de juízes(as) negros(as) e daqueles que se dizem e se comprometem com o antirracismo porque temos, efetivamente, lidado com uma matriz de memória que tem fixado as pessoas negras – homens, mulheres, jovens e adultos – em condição de problema para o direito e, não, como sujeitos de direto”, salientou.
Em esforço de trazer à tona e jogar luz sobre a história do povo negro e de seus heróis e heroínas, o Juiz Agenor Gomes contou a história da professora e escritora negra Maria Firmina dos Reis.
Nascida em 1822 no Maranhão, filha e neta de escravas, Maria Firmina é autora do livro “Úrsula”, considerada a primeira obra do romantismo brasileiro. E foi, em sua época, uma intelectual e uma liderança comprometida em retratar a condição das pessoas negras e escravizadas.




