O presidente da AMB, Jayme de Oliveira, e membros da diretoria prestigiaram a entrega do prêmio "Diploma Mulher-Cidadã Carlota Pereira de Queirós" edição 2018 à vice-presidente da AMB e presidente da Associação de Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), Renata Gil. A homenagem é entregue anualmente às mulheres que tenham contribuído para o exercício pleno da cidadania, a defesa dos direitos da mulher e as questões de gênero. A cerimônia ocorreu na manhã desta quinta-feira (29), durante sessão solene da Câmara dos Deputados, no Plenário Deputado Ulysses Guimarães.

A vice-presidente Institucional da AMB foi reconhecida por ter sido a primeira magistrada presidente da associação do Rio de Janeiro e ser a juíza responsável pela organização do prêmio Amaerj Patrícia Acioli de Direitos Humanos, que já condecorou diversas ações relativas aos direitos da mulher e questões de gênero. Ela foi indicada pela deputada Laura Carneiro (DEM-RJ) e foi a mais votada entre as 11 indicações, com 13 votos.

Às autoridades e familiares presentes, Renata Gil ressaltou que, infelizmente, ainda há no País um quadro de desigualdade feminina. “Sabemos que no Parlamento as mulheres ainda estão chegando com muita lentidão. Apesar da taxa de renovação este ano ter sido de 51%, a gente entende que ainda tem um caminho longo pela frente. E no Judiciário a gente tem feito um trabalho muito importante de descobrir quais são os verdadeiros empecilhos para que as mulheres galguem aos cargos de liderança. Não sabemos se é uma opção ainda feminina, por tudo que a posição feminina na família exige, ou se realmente existem barreiras internas dentro das estruturas do Poder Judiciário que impedem que essas mulheres que alcancem a todos os lugares que podem”, elencou.

Em discurso enviado à sessão, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), falou sobre a necessidade de as mulheres ocuparem mais espaço na política. “A composição desta Casa e do Senado Federal ainda não reflete o peso e a importância das mulheres na sociedade brasileira. Nas últimas eleições, 77 mulheres conquistaram uma cadeira na Câmara dos Deputados, o que representa 15% das 513 vagas da Casa. É um discreto avanço em relação à atual legislatura, que conta com 53 deputadas, ou 10% da representação.”

Em suas falas, as parlamentares e convidadas destacaram o pioneirismo e a coragem das homenageadas. Entre os presentes, a secretária nacional de Políticas para Mulheres, Andreza Colatto; o deputado Fábio Ramalho (MDB-RJ); e as deputadas Ana Perugini (PT-SP), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Keiko Ota (PSB-SP), Benedita da Silva (PT-RJ), Carmen Zanotto (PPS-SC), Zenaide Maia (PHS-RN), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Luiza Erundina (PSOL-SP), entre outras.

Da diretoria da AMB, também marcaram presença a vice-presidente Administrativo, Maria Isabel da Silva, e o assessor da Presidência Levine Raja Gabaglia.

Homenageadas

Além de Renata Gil, as outras quatro eleitas pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, entre as 11 indicações válidas ao prêmio, foram Alzira Soriano (in memoriam), Ana Cristina Ferro Blasi, Marielle Franco (in memoriam) – duas indicações – e Mônica Spada e Sousa.

Alzira Soriano (1897-1963) foi a primeira prefeita eleita no Brasil e na América Latina. Tomou posse na prefeitura de Lajes (RN) em 1º de janeiro de 1929.

Ana Cristina Ferro Blasi foi juíza do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) e responsável pela campanha “Mulheres na política, elas podem, o Brasil precisa”.

Marielle Franco foi eleita vereadora na cidade do Rio de Janeiro em 2016 e ficou no cargo até março deste ano, quando foi assassinada. Socióloga, feminista e defensora dos direitos humanos.

Mônica Spada e Sousa, filha do cartunista Maurício de Sousa e diretora-executiva da Maurício de Sousa Produções, lançou o projeto “Donas da Rua” em 2016, em parceria com a ONU Mulheres, para estimular o empoderamento e a igualdade de oportunidades.

Diploma Mulher-Cidadã

Desde a primeira edição do prêmio, em 2004, a Câmara dos Deputados já agraciou 35 mulheres, entre elas Ellen Gracie, a primeira mulher a presidir o Supremo Tribunal Federal (STF), e Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança.

Carlota Pereira de Queirós (1892-1982) foi a primeira mulher brasileira a ser eleita deputada federal pelo Estado de São Paulo, em 1934. Médica, escritora, pedagoga e política, ela participou da Assembleia Nacional Constituinte, entre 1934 e 1935. Também fundou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas, em 1950.

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Imagem: Agência Câmara Notícias

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