Psicanalista conversou com Renata Gil sobre as angústias da quarentena

O psicanalista Augusto Cury participou de uma live com a presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, na tarde desta terça-feira (22). Afirmou que para ser feliz deve-se estar ativo e questionar os pensamentos ruins. “Quando vem um pensamento perturbador devemos confrontá-lo, como um advogado de defesa faz no fórum. Se eu penso que a vida não faz sentido e que as pessoas não me amam eu preciso me questionar. Não posso me entregar aos sentimentos”, afirmou.

Segundo Augusto Cury, o autocontrole não é algo natural e, infelizmente, não somos ensinados a controlar nossas emoções e sentimentos. “Isso é um grande erro. Nós damos uma responsabilidade a emoção que ela não tem. Se a emoção não for gerenciada as pessoas vão pensar e vivenciar o pensamento como se fosse real”, alertou. “Toda a colcha de retalhos emocionais vai se tornar o grande sugador do psiquismo humano. Devo sempre ter em mente que a minha paz vale ouro”, afirmou.

A presidente Renata Gil lembrou que a pandemia de covid-19 modificou muito o mundo e as relações. A magistrada trouxe dados de um levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgado em agosto que mostrou que os últimos meses agravaram os casos de ansiedade e depressão entre os magistrados e servidores do Poder Judiciário. Para ler mais sobre a pesquisa clique aqui.

“Tivemos que lidar com o isolamento social, o trabalho remoto, o luto da perda de amigos e a distância dos familiares. Sem falar nos cenários de incertezas que estamos vivendo”, disse. “Mas também temos coisas boas. Eu tirei muitas lições positivas para a minha vida. Estive mais dedicada aos meus filhos e aos meus pais, por exemplo”, ponderou.

Augusto concordou com a magistrada e disse que o isolamento social fez com que as pessoas tivessem que olhar para dentro de suas casas e encarar problemas que por muitos anos poderiam estar sendo ignorados por causa da rotina do dia a dia. “As pessoas não sabem falar das suas lágrimas para ensinar seus filhos a chorar. Os casais têm a necessidade neurótica de apontar erros um dos outros. Isoladas em casa as pessoas não conseguem dar risada das próprias falhas e tudo isso faz as pessoas saírem do controle”, disse.

Por fim, Augusto Cury agradeceu a AMB por “ter a sensibilidade com o Judiciário brasileiro” e incentivar que os magistrados construam um pensamento crítico com alto nível de consciência e autoconhecimento.

“Não tenham medo da vida, vivam intensa e inteligentemente. Ser feliz não é ter uma vida perfeita e sim trabalhar nossas dificuldades para esperar o mais belo amanhecer. Lembrem-se: as flores não são feitas nas primaveras, elas desabrocham nas primaveras. As flores são feitas no inverno”, concluiu.

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