Empreendimento social busca incentivar o apadrinhamento de crianças maiores de 8 anos, além de buscar apoio financeiro da sociedade para que jovens façam cursos profissionalizantes

Quanto mais o tempo passa, menores são as chances de crianças que estão crescendo em abrigos conseguirem uma nova família. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que o Brasil tem mais de 30 mil crianças em acolhimento, sendo que 5 mil delas podem ser adotadas. Dessas, mais de 2,8 mil têm mais de nove anos.

Com o trabalho realizado pelo Juiz Sérgio Luiz Ribeiro de Souza, da 4ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio de Janeiro, essa realidade vem mudando. O projeto “Apadrinhar - Amar e Agir para Materializar Sonhos” une as crianças que aguardam a adoção em abrigos com pessoas que, não necessariamente pensam em adotar, mas querem ajudar de alguma forma. E assim, se tornam padrinhos afetivos. Ao apadrinhar as crianças, muitas famílias criaram vínculos fortes, várias delas decidiram formalizar a adoção.

A iniciativa faz parte da mostra “Magistratura Cidadã: da normativa constitucional à efetivação dos direitos sociais”, promovida pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) em exposição do Museu do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta quinta-feira (20), o Magistrado esteve no Museu e sentiu a emoção ao ver o projeto, criado por ele, em destaque no STF. “É uma emoção muito grande ver o esforço para buscar uma vida melhor para essas crianças e jovens ser homenageada dentro da Suprema Corte”.

“É uma emoção muito grande ver essa homenagem no Museu da Suprema Corte – o nosso esforço de buscar uma vida melhor para essas crianças e jovens. A iniciativa da AMB em mostrar projetos de sucesso pode incentivar outros tribunais e Magistrados a agirem para garantir a cidadania plena”, disse Sérgio de Souza.

O projeto Apadrinhar foi a prática vencedora do XII Prêmio Innovare (2015) e, dele, surgiu uma nova ideia: o programa “Doe um Futuro” estimula jovens maiores de 18 anos, que precisam deixar os locais de acolhimento e começar uma vida, a buscarem uma formação profissional.

A iniciativa busca apoio de pessoas da sociedade civil para financiar cursos profissionalizantes escolhidos pelos jovens, sem nenhum repasse de valores às Varas da Infância e da Juventude. “Nós ouvimos esses jovens para saber quais cursos eles queriam fazer e temos tido resultados incríveis. Ao aprender uma profissão, eles se sentem seguros para começar uma nova vida”, afirmou o Magistrado. O programa também foi o vencedor da 19ª Edição do Prêmio Innovare (2022).

A exposição “Magistratura Cidadã” segue no Museu do STF até o dia 30 de abril.


Laura Beal Bordin (Ascom AMB)

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