Doze cidades foram contempladas pela expedição

Neste fim de semana, Magistrados de todo o Brasil fizeram uma imersão cultural pela história das pessoas negras do Brasil na III Caminhada Negra. O evento — organizado pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) em parceria com as associações estaduais/regionais — contou com mais de 135 participantes em 12 cidades brasileiras.

Os participantes caminharam pelas ruas de Salvador, Belém, Macapá, São Paulo, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Aracaju, Belo Horizonte, São Luís, Olinda e Curitiba, em roteiros que contemplam a trajetória dos negros do Brasil. A Caminhada Negra ocorre sempre próxima ao Dia da Consciência Negra, celebrada nesta segunda-feira, 20 de novembro.

Segundo o Diretor de Igualdade Racial da AMB e Vice-Presidente da AMMA, Marco Adriano Fonseca, esta foi a maior caminhada de todos os anos. Para o Juiz , o evento é uma grande oportunidade para conhecermos as nossas cidades a partir de um novo olhar.

“Foi uma experiência fantástica mobilizarmos Magistradas, Magistrados e seus familiares para estarmos juntos nesta caminhada, uma verdadeira imersão histórico-turístico-cultural, um momento de congraçamento entre associados da AMB que oportunizou a criação de memórias afetivas e principalmente a sensibilização e a conscientização acerca do protagonismo e das contribuições da população negra na sociedade brasileira, a partir de demarcadores históricos, culturais, econômicos e sociais”, afirmou o Diretor de Igualdade Racial da AMB.

Uma das participantes da Caminhada foi a Ministra do TSE, Edilene Lobo, que percorreu as ruas de Belo Horizonte (MG). A primeira mulher negra a ocupar o cargo do Tribunal Superior Eleitoral elogiou a iniciativa da AMB.

“Ao circular pelas ruas de Belo Horizonte, com paradas estratégicas para avaliar, criticamente, o apagamento da população negra, também da história urbanística da cidade - sem monumentos que celebram o povo que ajudou a construir a nação brasileira com seu suor e sangue - refletimos sobre a necessidade de falarmos de Justiça Reparatória. Significa falarmos de mais inclusão e visibilidade das pessoas negras nos espaços decisórios; da distribuição igualitária das riquezas; no acesso livre e franco à educação de boa qualidade; no direito de usufruir das cidades e seus equipamentos sociais; enfim, tirar do papel a democracia substancial prometida, com igual respeito e consideração material para com todas as pessoas, dando preferência ao maior contingente populacional, onde estão as pessoas negras”, afirmou a Ministra.

Entre os participantes, estiveram representantes das Associações de Magistrados estaduais, regionais e trabalhistas, além de membros de Tribunais locais - como o Presidente do TJ-MA, Desembargador Paulo Velten, o Desembargador Wagner Cinelli do TJ-RJ e o Desembargador Helder Ibiapina do TJ-CE. O evento contou com apresentações culturais e danças típicas durante a Caminhada de São Luís e de Macapá.

Enajun

Em Brasília, a III Caminhada Negra será em 25 de novembro coincidindo com a realização do 6º Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros (Enajun) e o 3º Fórum Nacional de Juízas e Juízes contra o Racismo e todas as formas de Discriminação (Fonajurd).

De acordo com o Presidente da AMB, Frederico Mendes Júnior, as iniciativas buscam chamar atenção para a grande contribuição da população negra ao país.

“Tanto a caminhada como o Enajum e o Fonajurd são eventos consolidados na agenda da Magistratura brasileira e o nosso objetivo é, a cada ano, ampliar o alcance e a representatividade”, comentou o Presidente da AMB.

Henrique Bolgue (Ascom/AMB)

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