A primeira mostra de informações colhidas pelo Cadastro Nacional de Pessoas Privadas de Liberdade foi apresentada pela juíza auxiliar da presidência do CNJ, Maria de Fátima Alves, durante o primeiro painel do segundo dia do II Fórum Nacional de Execução Penal (Fonavep), nesta sexta-feira (31), em Belém (PA).

“A justiça Criminal e a execução penal padecem de uma falta de dados muito grande. Essa ausência de dados não permite que a Justiça se organize minimamente, gerando informações coerente para o enfrentamento dos problemas”, explicou a juíza, responsável pelo departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário  e do Sistema de Execução de Medidas Socieducativas do Conselho.

Dentro dessa lógica, surge o Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP 2.0), com um quadro dinâmico da população prisional do País e que, segundo a magistrada, pode ser um “divisor de águas”, ao levar para a Magistratura potencial planejamento para enfrentar suas demandas. Ao abordar a responsabilidade do Judiciário, Maria de Fátima explicou sobre as informações que vão constar do sistema, que auxiliarão no acompanhamento do sistema prisional. “O Poder Judiciário é quem tem competência de prender e soltar as pessoas, ele precisa ter esse controle, e passará a tê-lo a partir do BNMP”, salientou.

O cadastro começou a ser implementado em novembro do ano passado e já está próximo de atingir 100% de informações cadastradas. “O banco já foi alimentado por 26 tribunes estaduais, com exceção do Rio Grande do Sul, e cinco tribunais federais”, informou.

Na ocasião, a juíza apresentou a primeira amostra de informações colhidas do banco, a partir do cruzamento desses dados, extraída em 6 de agosto de 2018. Segundo o relatório, são 602 mil o número total de pessoas privadas de liberdade do País, dos quais 5% são mulheres e 95% homens.  Ainda segundo o banco, desse total de presos, 599 mil estão sob jurisdição da Justiça Estadual e 2.271 da Justiça Federal. “São recortes que já disponibilizam para o Poder judiciário condições e informações para poder enfrentar esses problemas”, finalizou Maria de Fátima, destacando, ainda, a possibilidade de extração de dados em tempo real que o banco oferece.

Sobre a segunda edição do Fonavep a juíza frisou ser um momento importante em que “os juízes se reúnem para compartilhar suas práticas e ouvir o que o outro propõe de melhor. Ou seja, este momento só agrega e soma para a eficiência do Poder Judiciário.”

O painel “Controle Judicial das Informações sobre pessoas privadas de liberdade” foi presidido pelo desembargador Mário luiz Romidoff, do Tribunal de Justiça do Paraná.

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