Dilema entre modernidade e os costumes conduz debate de magistrados do Clube de Leitura da AMB

Obra japonesa “Em Louvor da Sombra” foca no contraste usando a cultura japonesa e a cultura ocidental como enredo
Luz e sombra. Costume e modernidade. Ocidente e oriente. A dualidade e a forma de como lidar com ela é a linha de condução da obra “Em Louvor da Sombra”, de Junichiro Tanizaki, um dos escritores japoneses mais renomados e autor selecionado para abrir os trabalhos de 2023 do Clube de Leitura da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).“Esse é o livro que indico para aqueles que querem conhecer a cultura japonesa”, afirmou a professora Mina Isotani, palestrante convidada.
Escrito entre 1933 e 1934, o texto fala sobre as mudanças ocorridas na cultura japonesa com a chegada da cultura ocidental. O costume ocidental chega modificando a rotina das pessoas, trazendo melhorias, mas também acabando com a cultura de como era até então. O texto faz uma comparação entre a visão ocidental e as ocidentais usando a arquitetura como exemplo.
“O autor utiliza a arquitetura para falar desse encontro entre o ocidente e o oriente. Utilizando a sátira e a ironia, ele conta que as casas japonesas são consideradas escuras, sem luminosidade. Essa questão da luz e da sombra tem um motivo de ser, para trazer intimidade, por exemplo”, explicou a especialista.
“A luz indireta diz muito, traz calor e proximidade e muda a forma que nos sentimos”, completa. Ela reforça que, na cultura japonesa, não existe a busca pela perfeição, como acontece na cultura ocidental. “Existe um jogo de pessoas e de identidades, de vontades e desejos”, explicou.
Isotani contou ainda que até hoje ainda há uma crise de identidade dentro do Japão e uma busca pela valorização das tradições. “Não somos mais o que éramos antes. Somos outros e temos que conhecer essa nova identidade. O que está nas nossas sombras é o que realmente somos”, completou a professora.
Próxima leitura
Segundo o Diretor Cultural da AMB,Kéops Vasconcelos, as próximas obras do Clube de Leitura ainda estão sendo avaliadas.
Paula Andrade (ASCOM/AMB)




