Livro “Desonra” ganhou o prêmio Booker Prize e é considerado o melhor romance de J. M. Coetzee

As tragédias se sucedem e acontecimentos se precipitam de forma rápida. O escritor Sul-africano John Maxwell Coetzee não protege nem seus personagens centrais e nem o leitor. Violências de todos os tipos, assédio, racismo, relações familiares conturbadas, são alguns dos temas abordados na obra “Desonra”, escrita em 1999 e premiada com o Booker Prize. O texto foi o escolhido para encerrar o primeiro ciclo do Clube de Leitura da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e foi debatido entre os participantes.

Desonra conta a história de um homem de 52 anos, professor universitário, que perde o emprego após uma denúncia de estupro por parte de uma aluna. Diante desse cenário, ele vai para o interior do país, na Cidade do Cabo - lugar onde o autor nasceu e por isso utiliza de suas próprias experiências para desenvolver suas obras, passar um tempo com Lucy, sua filha do primeiro casamento. A vivência em uma comunidade isolada de tudo, incita uma relação bizarra com sua filha. A partir de então, o texto se aprofunda em situações de violência e de abusos.

De acordo com o palestrante convidado, que também é professor, advogado e pesquisador, Plauto Cardoso, a obra choca, pois insere o leitor dentro da trama, fazendo com que ele viva e sinta as experiências dos personagens. “Não é um livro impactante pela descrição das cenas de violência, mas pelo trato do impacto psicológico delas na vida dos personagens”, explicou.

“Foi um dos livros mais densos que já li. É um gigante. Eu não me lembro de uma obra que tenha abordado, em tão poucas páginas, tantos temas diferentes como o racial, sexual, familiar, assédio e outros”, contou o vice-presidente de Cultura e Tecnologia da AMB, Thiago Brandão.

“Quando li pela primeira vez esse livro fiquei dias em choque”, contou a romancista convidada Jeanette Rozsas. “Coetzee tem uma escrita perfeita”, completou.

Para a juíza Lívia Freitas, da Associação dos Magistrados do Estado do Amapá (AMAAP), “é uma obra com texto pulsante e impossível de parar de ler”, comentou.

Encerramento de ciclo

O secretário cultural da AMB, Kéops de Vasconcelos Amaral Vieira Pires, anunciou o encerramento do primeiro ciclo do Clube de Leitura e o seu retorno em 2023. “Fui convidado pelo novo presidente da AMB, Frederico Mendes Junior, a continuar à frente das atividades culturais da AMB. Esse foi o meu sexto ano nessa função e comunico que já estamos nos estruturando para continuar o Clube no ano que vem”, enfatizou.


Walquene Sousa (Ascom/AMB)

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