Romance escrito em 1940 é considerado um dos clássicos da literatura em língua inglesa

O Clube de Leitura da AMB se reuniu para debater a obra de estreia da escritora americana Carson McCullers, “O coração é um caçador solitário”. Escrita em 1940, quando a autora tinha apenas 23 anos, a obra é considerada por muitos como sendo um dos 100 melhores romances de língua inglesa do século XX.

O livro retrata a vida em uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos às vésperas da eclosão da Segunda Guerra Mundial. A figura central da obra é um trabalhador deficiente auditivo, John Singer, com quem outros cinco personagens desajustados estabelecem conexões afetivas: Mick Kelly, uma adolescente ligada à música que personifica a autora; Jake Blount, um revolucionário bêbado; Biff Brannon, um dono de um café; Spiros Antonapoulos, um grego que também tem deficiência auditiva e Dr. Copeland, um médico negro que busca justiça social.

O escritor Fernando Carneiro debateu a obra com os Magistrados. Para ele, o romance é “muito sensível e traz uma gama de discussões muito ricas”. Ele destaca que a profundidade com que os personagens são retratados permite à autora tratar causas importantes ‒ como a do racismo ‒ sem ser panfletária. De acordo com Fernando, a solidão é o grande mote da narrativa.

“Enquanto você se relaciona com esses personagens e vai vivendo as histórias deles, mesmo angustiantes, elas alimentam nossa alma, alimentam a nossa lareira interna. Nos sentimos mais vivos e vamos nos desligando dos nossos personagens do dia a dia ‒ pai, marido, mãe, juízes. Quanto mais contato com a solidão, temos mais contato com o outro. Essa é a grande cura que a literatura promove”, disse Carneiro.

Durante a apresentação, os Magistrados discutiram a própria relação com a literatura e falaram sobre a empatia com os personagens. O Magistrado Franco Cocuzza registrou o relacionamento entre os dois personagens com deficiência como um chamariz para a narrativa desde o começo da escrita. Apesar de gostar da obra, o Magistrado Jorge Frias considerou que algumas das descrições feitas pela autora são muito explicativas.

O encontro foi mediado pela Juíza Danielle Martins Cardoso (TJ-SP), que destacou a humanidade dos personagens, ao lembrar da sua primeira impressão de Jake Blount, retratado como um andarilho bêbado. “Ela jogou com minhas barreiras, depois ela vai humanizando o personagem. É bem esférico, isso achei de uma capacidade tremenda”, elogiou.

A próxima obra discutida no Clube de Leitura será o livro Dois Irmãos, de Milton Hatoum.

Henrique Bolgue (Ascom/AMB)

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