Clube de Leitura da AMB debate livro “A balada de Adam Henry”

Escritor inglês Ian McEwan aborda drama existencial em romance tocante que traz uma Magistrada como personagem central
O direito e a literatura estão entrelaçados no romance “The Children Act”. A obra - publicada no Brasil do escritor britânico Ian McEwan com o título “A balada de Adam Henry” - foi debatida no Clube de Leitura da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).
A protagonista da trama é a Magistrada do Tribunal Superior Inglês: Fiona Maye especialista em Direito de Família. Com quase 60 anos de idade, dedicada e considerada uma juíza sagaz, ela possui, nas palavras de um dos personagens do livro, “imparcialidade divina e inteligência diabólica”.
Fiona Maye está enfrentando uma crise conjugal, que mescla questionamentos sobre a opção por não ter tido filhos e quando se depara com o processo envolvendo Adam Henry. Jovem de 16 anos, em tratamento de leucemia, o qual vive a fase em que os medicamentos já não conseguem deter o avanço da doença. Henry necessita de transfusão de sangue para continuar a viver. Porém, existe um imbróglio : a família do jovem é da religião Testemunhas de Jeová e não aceita essa alternativa.
Esse é o caso em que a Magistrada passa a ter em mãos, em um conflito de tensão gradativa, no qual engolfa o leitor nos meandros dos dilemas éticos e das crises existenciais.
O encontro debateu “A balada de Adam Henry” reuniu o Diretor-Geral Cultural da AMB, Kéops de Vasconcelos Amaral Vieira Pires, e demais membros do Clube de Leitura da AMB na apreciação da obra de Ian McEwan.
O enredo, a beleza, o encanto e a tristeza dos personagens e a relação da história com o direito e a defesa dos direitos fundamentais foram comentados pelo Desembargador Fernando Armando Ribeiro( TJ-MG).
Com doutorado em Filosofia do Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pós-doutorado pela Universidade da Califórnia (EUA), o Desembargador é também professor dos cursos de bacharelado e doutorado da Faculdade de Direito da PUC Minas e autor de livros e ensaios literários.
Sobre a obra em debate, o Desembargador abordou os equívocos judiciais citando a pré-compreensão. “Os Juízes são pautados por pré-compreensões, então, me parece que umas das questões que o McEwan está sustando como problema é justamente o da humanidade dos Juízes. Como ter uma justiça total se os seres humanos são limitados e falíveis? Me parece que isso tangencia a trama”, disse o Desembargador, estimulando o debate entre os participantes.
O Clube de Leitura volta a se reunir no dia 25 de outubro para abordar o livro “O menino do pijama listrado” de John Boyne, uma fábula sobre a amizade em tempos de guerra.
Serviço:
Clube de Leitura - "O menino do pijama listrado"
Data: 25/10
Hora: 19h
Palestrante: Saul Kirschbaum
Mediador: Diretor- Geral Cultural da AMB, Kéops Vasconcelos




