Clube de Leitura da AMB debate amizade entre garoto alemão e menino judeu durante a 2ª Guerra Mundial

"Menino do Pijama Listrado" destaca o improvável: a relação de afeto entre duas crianças de raças em conflitos — em meio ao maior genocídio da história
O livro “O menino do pijama listrado”, do escritor irlandês John Boyne, foi tema do encontro de outubro do Clube de Leitura da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), reunindo magistrados em interpretações literárias sobre a amizade entre um menino alemão e um garoto judeu durante a Segunda Guerra Mundial.
Escrito em 2006 e com 11 milhões de cópias vendidas, o livro traduzido para 60 idiomas e transformado em filme em 2008 conta a história de Bruno, um garoto alemão de 9 anos, filho de um oficial do regime nazista, que mora com sua família próximo ao campo de concentração de Auschwitz.
Alheio aos acontecimentos e ao contexto político da época, Bruno faz amizade com Shmuel, menino judeu também com 9 anos, preso com a família. Em grande parte da história, a comunicação entre os dois garotos se dá na cerca do campo de concentração que separa as duas realidades.
Para comentar a obra que aborda o holocausto, o Clube de Leitura convidou o mestre, doutor e pós-doutor em língua e cultura hebraica Saul Kirschbaum, que é, também, pós doutor em judaísmo e anti semitismo.
Na análise da história, Saul Kirschbaum disse que o livro não possui verossimilhança com a perseguição e extermínio de judeus entre 1933 e 1945 e que o uso ficcional desse assunto não é consensual.
“A utilização do holocausto como tema literário é uma questão controversa que ainda provoca muita polêmica. Há quem defenda que apenas os sobreviventes têm legitimidade para falar da catástrofe que se abateu sobre o povo judeu. E há quem diga que não é eticamente apropriado produzir obras de ficção com esse tema. John Boyle não é judeu e, por isso, segundo ele mesmo, decidiu apresentar a narrativa sobre o olhar de Bruno e não de Shmuel”, disse.
Na sessão do Clube de Leitura, alguns Magistrados analisaram o livro conforme a visão de Saul Kirschbaum, concordando que a publicação confere um tratamento superficial ao holocausto, com a tragédia vista da perspectiva de uma família alemã e sem elementos para que os leitores criassem empatia com os personagens judeus.
Uma outra parte dos participantes avaliou que o livro faz uma abordagem sensível e tocante, retratando a amizade em tempos de guerra entre pessoas em campos opostos e as consequências das tragédias.
Ao fim do debate, o Diretor-Geral Cultural da AMB, Kéops Vasconcelos, informou que o Clube de Leitura volta a se reunir em 29 de novembro, dessa vez, para abordar o livro “Madrugada suja”, do escritor português Miguel Souza Tavares.
Serviço
Clube de Leitura - Próximo encontro
Livro: “Madrugada Suja”, de Miguel Souza Tavares
Mediação: Juiz Kéops de Vasconcelos.
Data: 29 de novembro, às 19h.
Encontro: on-line, via Zoom
Inscrições: [email protected]




