Obra foi tema do encontro do Clube de Leitura da AMB em abril

O escritor baiano (1912-2001) chegou ao patamar de autores consagrados que estrelaram, na literatura, o caminho daqueles que estão entre os mais traduzidos de todos os tempos. As obras de Jorge Amado são as mais adaptadas para o cinema, teatro e televisão. Em suas histórias, ele conseguiu a proeza de ser atual. Pensando nisso, o Clube de Leitura da AMB discutiu “Capitães da Areia”, com a palestra do professor Gildeci de Oliveira Leite, mestre em Literatura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“A problemática dos meninos de rua, levantada pelo autor, nunca foi tão atual. O velho Jorge continua atual como nunca”, analisou o convidado.

A obra “Capitães da Areia” trata da problemática do menor de rua, abandonado e de suas consequências – a violência, a criminalidade, a discriminação e a prostituição. De acordo com o professor, junto com o tema da infância perdida está a temática social-comunista. O protagonista do grupo é um jovem chamado Pedro Bala, um menino loiro e filho de um grevista morto no cais.

“Na obra, a única saída colocada pelo autor para aqueles meninos é a educação comunista. Isso não vai estar escrito no livro. A obra foi produzida durante um período em que Jorge Amado ainda estava encantado com o Partido Comunista, era inclusive filiado ao Partido Comunista Brasileiro, mas já rejeitava as atrocidades de Stalin”, contextualizou o especialista.

“Por isso, durante toda a narrativa, os meninos fazem coisas condenáveis e são denunciados”, disse. Gildeci de Oliveira citou ainda uma passagem do livro, na qual as crianças se tornam “braço armado” de um sindicato. “Jorge Amado foi viver no trapiche para conhecer o dia a dia daquelas crianças. Por isso, seu texto é tão realista e com grande riqueza de detalhes, tanto sobre a vida nas ruas quanto no ambiente político social”, contou o professor.

A Juíza Carolina Maia (TJ-BA), mediadora do encontro, destacou a problemática das crianças que tiveram a infância roubada. “São personagens que encontramos todos os dias nos Fóruns e Varas de Infância. Crianças que nunca tiveram uma chance e que repetem a violência sofrida em vida por ser a única coisa que conhecem”, lamentou a magistrada.
“Elas passam pela Vara de Infância e, quando crescem, vão parar na Vara Criminal”, completou.

Franco Cocuzza, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) disse que “passados 85 anos da publicação da obra, a realidade da violência e criminalidade está pior”.

Próximas obras

O Diretor Cultural da AMB, Kéops Vasconcelos, anunciou as próximas obras que estarão em debate, sempre na última quarta-feira de cada mês:

Dia 31/05 – O Senhor das Moscas – William Golding;
Dia 28/06 – Um Aprendizado ou o Livro dos Prazeres - Clarice Lispector.

Os nomes dos palestrantes ainda serão divulgados.


Paula Andrade (Ascom/AMB)

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