Candidatos à presidência da Ajuris debatem em Caxias do Sul
A coordenadoria de Caxias do Sul (4ª) realizou nesta sexta-feira, 9, o primeiro debate entre os candidatos que disputam a presidência da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris). O desembargador Carlos Cini Marchionatti (Ajuris Unida) e o juiz Luís Christiano Enger Aires (Novo Tempo) apresentaram as suas propostas e responderam perguntas feitas por magistrados que compunham a platéia de cerca de 30 pessoas. O magistrado Felipe Rauen Filho, que integra a Comissão Eleitoral do pleito, ficou responsável pela mediação do debate. No primeiro momento, os candidatos tiveram 15 minutos para falar. Depois, abriu-se o espaço para perguntas da platéia, sendo que Marchionatti e Luís Christiano tinham de responder a todos os questionamentos, não havendo espaço para perguntas dirigidas. No final, os dois tiveram um tempo para fazer as suas últimas considerações. O debate durou cerca de duas horas e meia.
Subsídio
Marchionatti e Luís Christiano mostraram-se comprometidos com a implementação do subsídio. Eles afirmaram que, caso o projeto de lei não seja aprovado na atual gestão, implantá-lo será uma questão de ordem. Para Luís Christiano, o subsídio precisa ser melhor trabalhado perante a sociedade. "O subsídio precisa ser trabalhado através do franco debate com autoridades. É preciso mobilizar a magistratura e a sociedade para mostrar a justeza e a constitucionalidade deste projeto". Marchionatti lembrou que a atual presidente, Denise Oliveira Cezar, não tem medido esforços no que se refere ao subsídio. "Se esta nova forma de remuneração não for aprovada este ano, não será por apatia da Ajuris. Estamos inteiramente empenhados e comprometidos com a questão e, com certeza, assim continuaremos em minha eventual gestão".
Relação com o TJ
A juíza Maria Aline Brutomesso, diretora do Foro de Caxias do Sul, questionou os candidatos se "já não é hora de interiorizar a justiça". Segundo ela, está cada vez mais difícil para as comarcas do interior do Estado pleitear junto ao Tribunal de Justiça. Luís Christiano lembrou que existe um projeto de incluir cinco comarcas do interior como entrância final, em posição igual a Porto Alegre. Marchionatti afirmou que a sua candidatura, embora respeite a autarquia do TJ, defende a autonomia da associação e que auxiliar o processo de maior interiorização do órgão faz parte de seu programa.
Comunicação com a sociedade e a mídia
Os dois candidatos mostraram-se cientes da importância de bem relacionar-se com a imprensa. Marchionatti destacou que a relação com a imprensa não é fácil, mas, segundo ele, vem melhorando a cada dia. "Temos que alcançar a linguagem jornalística com naturalidade, a fim de tratar todos os assuntos pertinentes à nossa entidade, como também os que digam respeito à sociedade gaúcha em geral". Luís Christiano disse que, se for eleito, irá reimplementar os seminários destinados à imprensa. "É uma forma de se aproximar ainda mais dos veículos de comunicação e possibilitar a releitura dos fatos. A Ajuris tem que voltar a ser uma fonte referência", justificou.
Papel da ESM
Luís Christiano e Marchionatti afirmaram que a Escola Superior da Magistratura receberá um tratamento especial em suas gestões. O candidato da chapa Novo Tempo ressaltou a importância da instituição. "A nossa Escola é uma referência nacional. É importante destacar que ela é vinculada exclusivamente à Ajuris. Por isso, defendo a total autonomia pedagógica. Pretendemos manter e incrementar o Curso de Preparação à Magistratura a Distância, ora lançado, e reaver com o Tribunal de Justiça a questão da verba que o órgão sempre destinou à instituição, mas que nos dois últimos anos foi cortada". O candidato da chapa Ajuris Unida falou que a ESM é um elo entre a classe e a sociedade e que pretende ampliar a sua rede de relacionamentos. "Todas as atividades da Escola serão avaliadas e melhoradas, especialmente no que diz respeito ao aperfeiçoamento acadêmico e profissional dos magistrados. Também queremos intensificar a rede de convênios, a fim de viabilizar cursos de qualidade, com status de pós-graduação".
Interiorização da entidade
Os candidatos demonstraram que estão empenhados a trabalhar pela interiorização da Ajuris, a fim de que os magistrados que moram no interior tenham maior participação na vida associativa. "Cada região tem as suas especificidades. E a Ajuris tem que trabalhar respeitando-as e promovendo ações com o intuito de aproximar os colegas do interior do Estado. Para isso, pretendemos utilizar, por exemplo, as ferramentas de tecnologia disponíveis", disse Luís Christiano. Marchionatti chamou a atenção para o fato de a AJURIS possuir 104 casas e 15 apartamentos no interior para abrigar juízes de entrâncias inicial e intermediária e disse que a sua gestão pretende viabilizar flats na Capital. "Estes flats serviriam para hospedar os associados do interior em eventuais visitas a Porto Alegre. Desta forma, eles poderão contar com mais conforto ao irem à Capital e terão um estímulo para visitarem mais a Ajuris".




