Cartilha de orientações produzidas em parceria entre magistrada do Amazonas e artistas locais traz a ampliação da cidadania feminina na luta contra a violência doméstica

Conteúdo dinâmico, repleto de arte e carregado de importância. A cartilha Nossa Dor não é Brincadeira retrata, por meio de uma linguagem simples e de um olhar sensível, orientações para as mulheres vítimas de violência doméstica. A iniciativa, coordenada pela juíza de Direito Titular da Comarca de Barreirinha (Amazonas), Larissa Penna, foi lançada na última terça-feira (29).

Com o objetivo de envolver a comunidade na discussão sobre o tema da violência doméstica, a magistrada realizou uma parceria com artistas locais de Parintins e Barreirinha para realização das ilustrações da cartilha. A obra da capa, da artista Brena Moraes, teve como principal critério de seleção a representação da sororidade (aliança e pacto social, ético e emocional construído entre mulheres).

Brena Moraes

Informações sobre os processos jurídicos são perpassados por diferentes formas artísticas no decorrer das 22 páginas da cartilha. Um exemplo é o detalhamento e explicação da Lei Maria da Penha que vem acompanhado da indicação da série Coisa Mais Linda, da Netflix, e pela poesia Flor Mulher, de Tiago Hakyi.

Flor Mulher

O mundo é teu mulher
Como são as flores
O belo amanhecer
O canto poético carregado de amores
As estrelas ao anoitecer.
A noite e seu sorriso de luar.
Por isso, não podemos permitir
Que tuas lágrimas sejam resultadas de agressão
Nem que o homem possa te fazer chorar
Machucando tua alma teu coração.
Ele deve sempre te fazer sorrir
Te tratando como na lua de mel
Fazendo teu sorriso desabrochar.
Ele deve saber, caso te machuque
Pode sentir as grades da prisão.
A Lei Maria da Penha
Deixa bem claro sua intenção
Ela serve também como caminho
Para que a violência não
Seja passada de geração em geração.
A violência doméstica deve ser extirpada da sociedade
Jogada no limbo do esquecimento
Que seja apenas uma lembrança distante
Na memória da humanidade.
Mulher…
Levas em tua vida
Uma estrela
Um coração de mil galáxias de amor
Mulher, sorriso em aquarela
O mundo merece teu olhar em flor.

Autor: Tiago Hakiy

Abordagem diferenciada em meio à pandemia

“O objetivo principal é a aproximação da sociedade com o tema da violência doméstica. Trazer além das informações jurídicas, conteúdos voltados para a psicologia, para a busca por apoio”, destaca a juíza Larissa Penna. A cartilha inova ao indicar séries, livros, músicas, contas do Instagram e vídeos que debatem a violência doméstica.

Outra diferente perspectiva é a orientação para os agressores. Segundo a juíza, levar essas informações sobre como ele deve se portar em relação às medidas protetivas, como ele pode pedir ajuda para mudar suas atitudes podem fazer a diferença. “Em uma situação de violência doméstica, toda a família adoece e é prejudicada. Todos precisam de orientação”, destaca.

Durante a pandemia, houve o aumento significativo da violência doméstica e feminicídios. No primeiro semestre de 2020, 1.890 mulheres foram mortas durante o período de isolamento social – um aumento de 2% em relação ao mesmo período de 2019, segundo levantamento do portal G1.

A cartilha, assim como a campanha Sinal Vermelho, busca promover a concretização dos direitos das mulheres de uma forma efetiva. “É trazer o conhecimento sobre as leis, sobre o que são relações abusivas, pois muitas ainda não identificaram que estão em uma relação violenta. Mostrar as redes de apoio, os tipos de violência (física, psicológica, moral, sexual, patrimonial e virtual) para trazer informação e alternativas possíveis durante esse período pandêmico”, relata a juíza Larissa Penna.

Acesse a cartilha completa aqui.

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Fernanda Bastos*

Assessoria de Comunicação da AMB

*Sob supervisão de Priscila Mesiano

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