Ministro Pádua Ribeiro recebe homenagens em sua despedida da Corte Especial
O ministro Antônio de Pádua Ribeiro participou nesta quarta-feira, dia 19 de setembro, de sua última sessão na Corte Especial, órgão máximo de julgamentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Emocionado, ele agradeceu aos seus pares, amigos e aos servidores as homenagens recebidas, destacando que deixava o Tribunal com a sensação do dever cumprido. “Estou convencido de que combati o bom combate”, afirmou.
Escolhido para falar em nome da Corte, o ministro Humberto Gomes de Barros relembrou alguns momentos importantes da carreira do ministro Pádua Ribeiro nesses 27 anos dedicados à magistratura. Desde a aprovação em 1º lugar no concurso para o cargo de procurador da República ao ingresso no STJ, aos 40 anos de idade. “Emérito precoce! Tudo indicava que ele seria presa fácil da ‘juridicite’. Qual nada, continuou o mesmo juiz objetivo, modesto e firme no exercício da jurisdição e em todos os outros cargos que exerceu”, exaltou o homenageante. Além das funções no STJ, o ministro Pádua Ribeiro foi também ministro titular do Tribunal Superior Eleitoral e corregedor das Justiças Federal e Eleitoral, além de ter desenvolvido a atividade acadêmica e publicado inúmeros trabalhos jurídicos.
“No Tribunal Federal de Recursos, ele dedicou-se a formular as bases da nova Corte e a convencer os constituintes da importância da efetivação do STJ”, ressaltou o ministro quando se referiu ao esforço de Pádua Ribeiro para a criação deste tribunal. Ele destacou que o homenageado chegou ao decanato precocemente, sendo, atualmente, o mais antigo ministro do STJ, cargo que abraçou em 1980 como integrante do extinto Tribunal Federal de Recursos. “Chegou ao decanato precocemente, conduziu os colegas na linha reta para evitar os excessos e fugir ao conformismo”, disse.
Ao encerrar, o ministro Humberto Gomes de Barros lançou um desafio aos seus pares e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB): “escolher um sucessor a altura de vossa capacidade”, disse referindo-se ao ministro Pádua Ribeiro.
Agradecimento das mulheres magistradas
Quebrando o protocolo, a ministra Fátima Nancy Andrighi agradeceu ao ministro Pádua Ribeiro o incentivo ao ingresso das mulheres nos Tribunais Superiores do país. “Todas as mulheres brasileiras, e sei que falo em nome de todas elas, são eternamente gratas a Vossa Excelência”, revelou.
Emoção na homenagem dos advogados
Falando em nome dos advogados, o ministro aposentado Paulo Roberto Saraiva da Costa Leite lembrou que foi aluno do ministro Pádua Ribeiro nos anos 70. “É rico o nosso acervo comum de lembranças”, iniciou Costa Leite, mantendo o tom saudosista e emocionado que marcou todo o seu discurso de homenagem.
Entre as qualidades acentuadas, ele ressaltou “a fidelidade aos princípios e o acentuado espírito público” do ministro Pádua Ribeiro. “Hoje a Corte despede-se de um dos seus mais expressivos e qualificados quadros”, encerrou, desejando proteção ao magistrado e à família, que estava presente na homenagem.
À família, em primeiro lugar
“Sem o seu conhecimento, amor e sacrifício – até da própria carreira – eu dificilmente teria chegado a esses patamares que alcancei”, confessou o ministro Pádua Ribeiro ao reconhecer o apoio de sua esposa, Ívis Glória Lopes Guimarães de Pádua Ribeiro, para a construção de sua carreira de magistrado. “Renovo as minhas homenagens àquela que esteve ao meu lado durante mais da metade da minha vida”, agradeceu emocionado à esposa e à família, que, segundo disse, sempre lhe deu muita alegria, satisfação e compreensão para que pudesse exercer a vida profissional.
Em seu discurso, o ministro contou trechos de sua vida, desde os tempos de menino no povoado de Torneiros, município de Pará de Minas (MG), à ida para o Rio de Janeiro e à conquista do título de bacharel em Direito pela Universidade de Brasília, em 1967. Relembrou sua posse no cargo de ministro do Tribunal Federal de Recursos, quando a filha Glória Maria, então com cinco anos de idade, pulou a cancela para chegar ao pai. “Era o tempero da humanidade que vinha amainar o ato solene”. Falou também sobre a filha Maria Antonieta, que, só quando jovem, passou a diferenciar o pai do cargo que ele exercia. “Era um bebê quando tomei posse e sempre me conheceu como ministro”.
Ministros, advogados, membros do Ministério Público e servidores também receberam os agradecimentos do ministro Pádua Ribeiro. “Pude verificar que as homenagens foram sinceras”, disse o ministro sobre as deferências que recebeu nesta última semana.




