Vários juízes de Mato-grosso realizam trabalhos voluntários e encabeçam projetos sociais que contribuem para uma cultura de paz. São projetos de alfabetização, aperfeiçoamento profissional e ressocialização de presos, e palestras para combater a violência.

Os presos do Vale do Arinos são beneficiados por dois projetos voltados para a educação, alfabetização e aperfeiçoamento profissional, lançados pela juíza das comarcas de Porto dos Gaúchos e Tabaporã, Helicia Vitti Lourenço.

Num dos projetos, em parceria com o Poder Judiciário, Secretaria Municipal de Educação, direção da cadeia pública de Porto dos Gaúchos e a sociedade civil organizada da região, localizada a 644 Km da Capital, os presos têm aulas dentro da cadeia. O outro é a implantação de uma biblioteca volante. A comunidade já doou uma estante. Agora, a juíza está convidando a sociedade local para contribuir com a doação de livros que comporão o acervo.

Segundo a magistrada, os detentos não tinham oportunidade para a reeducação e ressocialização. “Um dos objetivos dos projetos é fazer com que os Poderes e a própria sociedade reconheçam sua parcela de responsabilidade e contribuam para a formação de uma sociedade mais justa e fraterna, principalmente na prevenção”, afirmou a juíza.

Na Comarca de Aripuanã, a 976 Km ao norte de Cuiabá, a juíza Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto, combate à criminalidade desde maio por meio da realização de palestras, que debatem cidadania com pais e alunos de escolas públicas. “Apesar de ser recente, a iniciativa tem surtido efeito positivo e espero que seja exemplo para outras comarcas”, afirma a magistrada, ressaltando que convidou também para participar das palestras o promotor de Justiça Luciano Martins da Silva. Juntos eles explicam como funciona o Poder Judiciário, Ministério Público e Defensoria. “Geralmente as pessoas pensam que juízes e promotores são inacessíveis. Estamos mostrando que a Justiça é um serviço público, que o Fórum e seus servidores estão a serviço delas”, afirma a juíza.

Eles também abordam assuntos como alcoolismo, estruturação das famílias, incentivo aos estudos e divulgam o número do disque-denúncias. “Abordamos principalmente os problemas que fazem aumentar a criminalidade local. Explicamos sobre os direitos da criança e do adolescente e também sobre trabalho infantil, que ainda é comum nesta região”.

Aripuanã tem cerca de 27 mil habitantes e já registrou altos índices de violência. Os números foram reduzidos após a instalação da comarca, em agosto de 2004. A juíza Aline Quinto acredita que a criminalidade ainda é alta. “A vida da comunidade só vai melhorar com investimentos na educação e por meio da conscientização da sociedade”, conclui.

Algumas iniciativas começaram na década de 90. Em 1999, José Luiz Leite Lindote, então juiz da Comarca de Pedra Preta, a 240 Km de Cuiabá, adotou um projeto de pena alternativa, que consistia em mão de obra para a construção de moradias populares. O projeto resultou em uma vila com cerca de 40 casas e 12 apartamentos para idosos. Denominada Vila São Marcos, o conjunto de residências foi rebatizado para Vila do Juiz.

 

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