Presidente da AMB participa do programa Linha Direta
O programa Linha Direta Justiça, da Rede Globo, que vai ar nesta quinta-feira, 7 de junho, por volta das 22h10, contará a história do assassinato do jornalista e desenhista Roberto Rodrigues, irmão do dramaturgo Nelson Rodrigues. O julgamento do caso é considerado histórico, não só porque foi o primeiro júri transmitido ao vivo pelo rádio, mas porque confrontava dois grandes advogados e envolvia outras personagens de destaque da história do Judiciário brasileiro. O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Rodrigo Collaço, participa do programa, comentando a repercussão do julgamento.
Conheça o caso
Na tarde de 26 de dezembro de 1929, a jornalista e escritora Sylvia Serafim Thibau, 28 anos, casada e mãe de dois filhos pequenos, deu um tiro na barriga de Roberto Rodrigues, 23 anos, na redação do jornal “Critica”, de propriedade da família Rodrigues. Naquele mesmo dia, a primeira página do jornal trazia uma reportagem difamatória sobre o desquite de Sylvia, cuja ilustração – assinada por Roberto – insinuava que ela traíra o marido. O desenho mostrava um médico – no caso, o Dr.Manoel de Abreu, com quem Sylvia se tratava – alisando as coxas de uma mulher, Sylvia.
O desenhista não morreu imediatamente. Padeceria ainda por três dias. O atentado transformou-se em tragédia rodrigueana: três meses depois da morte de Roberto, o patriarca da família, Mário Rodrigues, que nunca se conformou com a perda do filho querido, morreu de trombose cerebral. Cinco meses após a morte de Mário, Sylvia, responsabilizada pelos Rodrigues pelas duas mortes, foi julgada e absolvida, apesar da família ter feito uma das maiores, mais duras e ofensivas campanhas contra uma pessoa na imprensa carioca.
Dois meses depois, estourou a Revolução de 30, e o jornal “Critica”, defensor do regime que era derrubado, acabou sendo empastelado e nunca mais circulou. Era a desgraça completa da família Rodrigues. No entanto, o último capítulo desta dramática história ainda não estava escrito. Dois anos depois de ser absolvida, Sylvia se apaixonou pelo tenente-aviador Armando Menezes. Os dois tiveram um filho chamado Rohny. Armando foi transferido para Curitiba e abandonou Sylvia. Logo em seguida, um juiz decretou a prisão de Sylvia porque ela foi acusada de falsificar documentos para estudar numa faculdade de direito.
Com medo de um novo escândalo, Sylvia fugiu para Curitiba atrás de Armando. Ela foi rejeitada pelo tenente e tentou o suicídio em um quarto de hotel. A polícia transferiu Sylvia para a enfermaria da casa de detenção em Niterói, RJ. Na madrugada de 27 de abril de 1936, Sylvia suicidou-se ao lado de seu filho de três anos, que estava dormindo. A morte de Roberto Rodrigues deixou marcas profundas num dos seus irmãos mais famosos: Nelson Rodrigues, considerado o maior dramaturgo brasileiro, que era apenas um jovem de 17 anos quando testemunhou a tragédia. É o próprio Nelson quem revela: "E confesso: o meu teatro não seria como é, nem eu seria como sou, se eu não tivesse sofrido na carne e na alma, se não tivesse chorado até a última lágrima de paixão o assassinato de Roberto."




