Mude um Destino é lançada em Sergipe
Cerca de 80 pessoas prestigiaram o lançamento da campanha Mude um Destino, na tarde de ontem, no auditório do Palácio da Justiça em Aracaju (SE). Estavam presentes magistrados, comunidade e representantes do governo local, interessados em conhecer a ação da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que busca encontrar soluções para melhorar as condições de vida das cerca de 80 mil crianças e adolescentes que vivem em abrigos no Brasil.
O lançamento em Aracaju contou com o apoio da Associação de Magistrados de Sergipe (Amase). O presidente da entidade, Marcelo Augusto Costa Campos, abriu o evento declarando estar honrado em participar de uma iniciativa de tamanha importância. “A campanha foi idealizada pela AMB e abraçada pela Amase, mas é de todos nós. Temos que disseminar esta idéia para mudar esta triste face da sociedade”, enfatizou o magistrado.
O vice-presidente da AMB para Interiorização, Mozart Valadares Pires, representou o presidente da Associação no lançamento. Ele destacou que a Mude um Destino tem três objetivos primordiais: discutir as causas que levaram as crianças ao abrigo; analisar as condições em que elas vivem – como educação e alimentação; e descobrir o que os vários segmentos da sociedade podem fazer para que as crianças possam voltar a conviver com a família ou em outro lar. Mozart disse, ainda, ter a certeza de que o nono estado a abraçar a campanha vai disseminá-la. “Saio convicto de que esta campanha não ficará neste auditório. Ela vai para as ruas, para a comunidade de Aracaju”, afirmou.
Durante a cerimônia, a funcionária pública aposentada Etani Souza Fontes emocionou os presentes com seu depoimento. Etani tem sob sua responsabilidade 47 jovens. Ela já tem a guarda definitiva de 14 deles, e espera poder adotar todo o grupo. A aposentada falou da felicidade de ser mãe de tantos filhos – ela ainda tem cinco filhos biológicos –, mas admitiu que enfrenta problemas, como toda mãe. “Existe o preconceito, dificuldades, mas nada que com fé e dignidade não se possa resolver. O que eu quero que todos saibam é que não sou ‘a mulher que cria os meninos’. Sou a mãe”, frisou.
Os filhos da aposentada têm idade entre 1 e 15 anos, e um deles é excepcional. Para “tia Etani”, como é conhecida na cidade, a recompensa vem com as declarações de amor e com o reconhecimento das crianças. “Imagina a alegria que é meu Dia das Mães e meu Natal?! Tenho certeza que muitas mães não têm o que eu tenho”, concluiu.
A primeira criança que Etani adotou foi Saulo Roberto, hoje com 15 anos. O adolescente também falou, emocionado, sobre como é fazer parte da grande família. “Não sei o que é adoção. Fui criado como filho. Não tenho o mesmo sangue, mas fui gerado de um grande amor”, contou.
Após a declaração do jovem, o coordenador da campanha e secretário-geral adjunto da AMB, Francisco Oliveira Neto, detalhou a Mude um Destino e apresentou o documentário O que o destino me mandar, da jornalista Ângela Bastos, produzido com o apoio cultural da Associação. Depois da exibição, o magistrado explicou que grande parte das crianças que vivem em abrigos tem um lar, mas a família não pode criá-las. “Muitas vezes, o que leva as crianças a pararem em abrigos são problemas econômicos”, comentou. Francisco Neto explicou, ainda, que para participar desta iniciativa a pessoa não precisa adotar uma criança. “Basta ir a um abrigo e ajudar, com trabalho, com materiais, do jeito que puder”.
Para encerrar o lançamento na capital sergipana, o coordenador da iniciativa apresentou as cartilhas “Abrigo legal” e “Adoção passo a passo”, e antecipou que em breve a AMB lançará um livreto sobre os direitos das crianças, cujo personagem principal será o Menino Maluquinho, criado por Ziraldo.




