Movimento de Arapiraca (AL) entrega “radiografia” da segurança pública ao procurador-geral de Justiça
Representantes do Movimento Arapiraquense de Combate à Violência entregaram, no dia 24 de abril, ao procurador-geral de Justiça, Coaracy José Oliveira da Fonseca, um documento contendo a “radiografia” da segurança pública em Arapiraca, a apresentação de propostas contra a criminalidade vivenciada no município e o conseqüente pedido de soluções.
O relatório foi resultado do debate público ocorrido em março passado, quando as autoridades ligadas à segurança pública e a sociedade de Arapiraca discutiram o problema da violência no Estado e na região.
O juiz José Firmino de Oliveira – coordenador do Movimento e vice-presidente da Associação Alagoana de Magistrados (Almagis) – confrontou um relatório sobre a violência em Arapiraca datado de 1994 com o entregue naquela ocasião: “Passados 13 anos, chegamos a conclusão de que os problemas de hoje são os mesmos de antes, certamente agravados pelo descaso, negligência e irresponsabilidade dos gestores públicos”, destacou.
Coaracy Fonseca elogiou a iniciativa dos integrantes da entidade por oferecer contribuições para minimizar a violência e inserir a população de Arapiraca como partícipe dos trabalhos. “Colocamo-nos à disposição para ajudá-los no que for necessário. Inclusive, já estamos trabalhando a parte estrutural da sede do MP em Arapiraca”, frisou.
O presidente da Câmara Municipal de Arapiraca, vereador Moisés Machado, exprimiu o sentimento de preocupação da população do Agreste, segundo ele, bastante amedrontada. “Sou militar e sei das dificuldades que o Estado enfrenta. O documento entregue a Vossa Excelência representa a contribuição da sociedade arapiraquense no combate às recorrentes ondas de criminalidade”, disse.
O procurador de Justiça Geraldo Magela, o vereador de Arapiraca Josias Albuquerque e o ex-representante da Câmara Municipal daquele município, José Carlos Braz, também acompanharam a reunião.
Estatísticas
Firmino colheu as estatísticas do crime em Arapiraca no início do ano. Segundo o levantamento, só no período de janeiro a março, foram registrados 6 assaltos e seqüestros-relâmpago, 12 roubos de carros, 23 roubos de motos, 27 assaltos a residências, 21 assaltos a estabelecimentos comerciais, 43 furtos e assaltos à mão armada, 38 homicídios, 11 tentativas de homicídios, 3 assaltos a prédios públicos, 12 armas apreendidas – a maioria delas em poder de menores –, e fuga de 48 presos das delegacias Regional e antiga de Roubos e Furtos.
Reivindicações
As reivindicações contidas no relatório sobre a violência em Arapiraca são dirigidas aos três Poderes. A sociedade arapiraquense solicita do Judiciário e do MP mudança no horário de funcionamento do fórum da região, com expediente de 8 às 18 horas, e regularização da 5ª Vara Criminal. Ao Executivo federal, pede a instalação de uma delegacia de Polícia no município; ao Governo estadual, a construção de cadeião e de outras delegacias, aumento do efetivo das polícias Civil e Militar, aquisição de viaturas e motos, criação do Instituto de Polícia Técnica e Científica de Arapiraca, de casas de reabilitação para menores infratores, de manicômio judiciário infanto-juvenil e de PM Box nas vias de acesso à cidade. À Prefeitura, a população pede, entre outras medidas, a realização de estudos criminológicos dos apenados recolhidos na penitenciária local.
O documento também foi entregue ao senador Renan Calheiros, ao governador Teotônio Vilela Filho e ao presidente da Assembléia Legislativa Estadual (ALE), Antônio Albuquerque. Nos próximos dias, o grupo se reunirá com o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), desembargador José Fernandes de Hollanda Ferreira.




